Filarmónica União Samorense revê estatutos 41 anos depois e vai a eleições
Alterações introduzem mandatos de dois anos, permitem votação diferenciada por órgão e clarificam regras em caso de demissão de presidentes. Novas eleições realizam-se a 21 de Fevereiro.
A Sociedade Filarmónica União Samorense (SFUS) aprovou uma revisão integral dos seus estatutos, encerrando um ciclo de 41 anos sem alterações estruturais ao documento que regula o funcionamento da colectividade. A alteração foi formalizada por escritura pública a 15 de Janeiro deste ano, dando execução à deliberação da assembleia-geral que determinou a remodelação total do texto anterior, em vigor desde 1984.
Em declarações a O MIRANTE, o vice-presidente Miguel Gonçalves admite que não se tratou de uma simples actualização formal. “Foi uma mudança de fundo, praticamente. Se compararmos uma e a outra versão, é irreconhecível o que ficou”, afirma, referindo a existência de lacunas e questões por actualizar que já não respondiam às exigências actuais.
Entre as alterações estruturais destaca-se o alargamento dos mandatos dos órgãos sociais de um para dois anos. “Uma direcção, num ano, não consegue fazer nada. Quando estamos inteirados do estado da casa é quando começamos a perceber o funcionamento e depois saímos”, explicou o vice-presidente, defendendo que a medida permitirá maior estabilidade e concretização de projectos.
Direcção com menos elementos
A nova redacção reduz também a dimensão da direcção, que passa a ser composta por nove elementos efectivos, em vez da estrutura alargada anteriormente prevista, que podia aproximar-se das duas dezenas de membros com representantes de secções. “Às vezes mais vale um grupo mais pequeno e unido do que muita gente”, sustenta o dirigente.
No plano eleitoral, os estatutos passam a permitir votação diferenciada por órgão, possibilitando que a direcção seja eleita a partir de uma lista e o conselho fiscal de outra. “Coloca novos desafios, mas é mais democrático”, reconhece. Foram igualmente clarificados os procedimentos em caso de demissão do presidente da direcção, prevendo-se agora a queda do órgão e a realização de eleições intercalares, evitando um cenário em que, por exemplo, era eleito um novo presidente que tinha de ficar com a restante equipa do anterior responsável máximo, algo que se considerava desajustado à realidade associativa.
O documento passou de 61 para 107 artigos, resultado de um processo que se iniciou em Maio e Junho de 2025 e que incluiu várias sessões de assembleia-geral, com análise artigo a artigo e acolhimento de propostas dos sócios. “Foi um bocadinho arrumar a casa”, resume Miguel Gonçalves. As próximas eleições realizam-se a 21 de Fevereiro. Segundo o vice-presidente, existe pelo menos uma lista de continuidade, liderada por Ana Leite, actual vice-presidente, que deverá suceder a Pedro Galrito.


