Cultura | 22-02-2026 21:00

Entroncamento: o filme que expõe a juventude perdida na cidade dos comboios

Entroncamento: o filme que expõe a juventude perdida na cidade dos comboios

Pedro Cabeleira regressa à terra natal para filmar um retrato duro, íntimo e político de uma geração suspensa entre a fuga e o crime.

Há territórios onde os comboios partem todos os dias, mas onde muitos nunca chegam a sair. “Entroncamento”, a segunda longa-metragem de Pedro Cabeleira, estreia nas salas de cinema nacionais a 26 de Março e afirma-se como um dos filmes portugueses mais aguardados do ano, um retrato cru de uma juventude à margem, presa entre a estagnação e o desejo de fuga. A história acompanha Laura, em fuga de um passado atribulado, que escolhe o Entroncamento para tentar reconstruir a vida. Dividida entre um emprego honesto e os esquemas de pequeno crime, cruza-se com uma geração desencantada, marcada pela desigualdade de oportunidades, pela precariedade e pela sensação de que o futuro não passa ali.
Mais do que um cenário, Entroncamento funciona como metáfora: cidade de partidas e chegadas, de trânsito constante e vidas suspensas, onde a multiculturalidade convive com preconceitos enraizados. O filme mergulha num território periférico, a escassos quilómetros de Lisboa, onde persistem a misoginia, a violência de género e a xenofobia, mas também a resiliência de quem insiste em sobreviver contra todas as probabilidades.
A estreia mundial aconteceu no prestigiado Festival de Cannes, na secção ACID, dedicada ao cinema independente. Em Portugal, o filme foi exibido no LEFFEST, no final de 2025, onde recolheu críticas entusiásticas, e conquistou o prémio de Melhor Realização no Caminhos do Cinema Português. O elenco reúne Ana Vilaça, Cléo Diara, Rafael Morais, Tiago Costa, Sérgio Coragem, André Simões e Henrique Barbosa, num conjunto de interpretações que privilegiam a naturalidade e a intensidade. O argumento é assinado por Pedro Cabeleira e Diogo Figueira, enquanto a direcção de fotografia esteve a cargo de Leonor Teles.
Produzido por Abel Ribeiro Chaves (Optec Filmes), Vasco Esteves e Edyta Janczak-Hiriart (Kometa Films), com distribuição da Urtiga, “Entroncamento” não é apenas um filme sobre uma cidade. É um espelho desconfortável de um país onde nem todos têm as mesmas oportunidades.

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