Cultura | 26-02-2026 18:00

A tradição ainda é o que era no Enterro do Entrudo em Samora Correia

A tradição ainda é o que era no Enterro do Entrudo em Samora Correia
O cortejo percorreu as ruas com humor popular e recados bem afinados - foto DR

Houve orelhas a arder depois de se ouvirem os versos durante o Enterro do Santo Entrudo em Samora Correia, onde o Carnaval é levado a sério e, por isso, ninguém está livre de uma partidinha.

O Carnaval de Samora Correia tem tradição e prestígio e encerra com o Enterro do Santo Entrudo, na Quarta-Feira de Cinzas. Um momento de escárnio e maldizer onde não faltam alfinetadas mais ou menos subtis a personalidades e instituições locais. A autoria dos versos é de Patrícia Pernes, de entre os quais seleccionámos alguns para partilhar com os leitores.

Santo Entrudo não faz greve a cagar
E deixou tudo numa sacola
A malta funcionária não quer trabalhar
É um bom exemplo do que se tem nesta escola

Caga a toda a hora
Numa obra bem briosa
E sempre sem demora
Deixou a merda para o Rato e para a Rosa

Para os vizinhos de baixo
Não se ficarem a rir
Deixo para o Jorge e Célia Claudino
O cagalhão que mais custou a sair

A Pastelaria do Jorge reabriu
A clientela tinha saudades
Agora já não fazem dieta
E há mais gente a cagar na cidade

Ó Santo Entrudo folião
Rei de risada e da confusão
Traz merda na algibeira
Mas alegria no coração

As manas Martinho vê se vão cagar
Lá para o raio que as parte
Só dão bufas fedorentas
Que lhes incha a rata

O Santinho cumpre sempre o seu
Dever, mas por vezes caga mole
Deixou um penico de merda
Lá para a Maria Rouxinol

Cagou o sacristão
E este vem de barco
Já chegou ao cais
Vinte contentores de merda
Para a malta comunista e seus ideais

Esta avenida está muito
Abandalhada e buracos que até dá dó
Está como a Câmara de Benavente mal governada
E com uma presidente só a fazer cocó

A malta pensava que a Sónia era a solução
Mas enganou-se na hora de escolher
Ela não quer governar
Ela só quer aparecer

Para as Águas do Ribatejo
Que rouba até à exaustão
Deixo um túnel cheio de merda
Para comerem ao serão

Tanta merda foi dividida
Guardem-se todos muito bem
A quem não calhar este ano
Esperem até ao ano que vem

A cagar não há folga
É todos os dias
O Entrudo deixou dez pipas de merda
Para a equipa e gerência do Padre Tobias

Ó meu rico Santo Entrudo
Eras tu sempre o primeiro
A cagar de cima do Coreto
Para o pessoal do Arneiro

Recordando o Carnaval
Tempo de festa e desenfreada
Os Saltitões fizeram 20 anos
Olhem o tamanho da cagada

Queriam Inteligência Artificial
Ela veio aqui parar
Para o Joaquim Salvador
Todo o grupo foi cagar

Vamos todos fazer uma ginástica
Para arranjar uma diária
Vão uns pastéis de merda tenra
Para os funcionários da Rodoviária

Era um Santo pobrezinho
De família de fracos meios
Deixou uma pipa de merda seca
Aqui para a equipa dos correios

Este Calvário está bonito
Mas pouco iluminado
Parece que a câmara não paga a conta
E a E-Redes deixou o poste desligado

Nesta era digital
Vibradores estão na moda
Para Samora vêm da Temu
Que agora a malta gosta de levar no cu

Depois emprestamos à malta de Benavente
Eles não podem ver nada
Ficam cheios de ciumeira
Com os vibradores no cu paralhes a caganeira

A ARCAS tem nova direcção
Miúdos cheios de garra e vontade
Tomem lá um valente cagalhão
De toda esta cidade

Os responsáveis do Carnaval
Como não se portaram mal
Com toda esta palhaçada
Para ficarem bem-dispostos
Para o ano voltem aos Postos
Levam mais uma cagada

Aos outros colaboradores
Alegres e bem festeiros
Vai um charrion de cagalhões
Para os gaiteiros

Muitos que davam alegria e cor
Ao nosso Carnaval, já partiram
Manel da Mouca, Elisa Vidal,
João Alemão e Manuel Parracho
São alguns exemplos que iniciaram a tradição,
mas mantemos o Carnaval bem vivo
E eles no nosso coração

Vamos já daqui embora
Senão este filho da mãe
Não guarda nada
Para o ano que vem.

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