Loja do Cidadão de Sardoal afirma-se como símbolo de proximidade
Uma década depois da abertura, a Loja do Cidadão de Sardoal é hoje símbolo de resistência ao fecho de serviços no interior e exemplo de como a modernização pode andar de mãos dadas com a proximidade.
A Loja do Cidadão de Sardoal assinalou a 18 de Fevereiro dez anos de funcionamento, numa cerimónia que reuniu autarcas, responsáveis nacionais e colaboradores. Em dez anos, foram realizados mais de 155 mil atendimentos, um número que traduz a importância do equipamento para o concelho. A sessão contou com a presença do director de Sistemas e Tecnologias de Informação da Administração Pública e presidente da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE), Manuel Dias, que enquadrou o espaço na estratégia nacional de modernização administrativa. “Celebramos uma década de serviço público de proximidade”, afirmou, sublinhando que simplificar a vida dos cidadãos e das empresas é uma prioridade e que as Lojas do Cidadão são locais onde a administração responde “às necessidades reais das pessoas, com qualidade, confiança e respeito pelo tempo de cada um”.
Actualmente, prestam atendimento presencial no espaço a Tejo Ambiente, a Autoridade Tributária e Alfandegária, o Instituto da Segurança Social, o Instituto do Emprego e Formação Profissional e a Associação Comercial de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação e Vila de Rei, concentrando num único local serviços essenciais que antes obrigavam a deslocações para fora do concelho.
O presidente da Câmara de Sardoal, Pedro Rosa, recordou o contexto em que a Loja foi criada, numa altura em que pairava sobre o território a ameaça de encerramento de serviços públicos. “Dez anos de proximidade e de aproximação contínua da Administração Pública ao cidadão”, afirmou, considerando que a criação da Loja do Cidadão veio “quebrar o paradigma” de afastamento dos territórios do interior. Para o autarca, o modelo deve continuar a conciliar digitalização e atendimento presencial. “A minha expectativa é que o modelo misto ainda possa perdurar e que o atendimento presencial se mantenha para quem não tem competências digitais ou acesso à internet em casa”, defendeu, deixando o desafio de reforçar a cooperação institucional para melhorar continuamente os serviços.
No final da cerimónia, O MIRANTE falou com Ricardo Lourenço, natural do concelho, que trabalha na Loja desde a abertura. Recorda que o espaço foi determinante para manter serviços no território e destaca como principal vantagem a possibilidade de tratar vários assuntos no mesmo local. Ao longo da década, houve momentos exigentes, como a pandemia, período em que o atendimento passou a ser feito por marcação e com fortes restrições. Ainda assim, sublinha que, apesar dos avanços tecnológicos, muitos cidadãos continuam a preferir o atendimento presencial, valorizando o contacto directo.


