Casa do Povo de São Facundo: 85 anos a dar vida à freguesia
Francisco Alves lidera uma das colectividades mais antigas da freguesia de São Facundo, em Abrantes, fundada em 1939. Entre futebol, festas e tradição, a associação continua a ser o principal ponto de encontro da freguesia. O MIRANTE esteve no edifício sede e conversou com o dirigente.
Aos 25 anos, Francisco Alves assume a presidência da Casa do Povo de São Facundo, concelho de Abrantes, com o mesmo espírito de missão que, há 85 anos, levou um grupo de habitantes a erguer uma das associações mais antigas da freguesia. Numa aldeia com cerca de 400 habitantes e população envelhecida, a colectividade continua a ser o principal motor da vida social, cultural e desportiva local.
Francisco Alves cresceu entre as paredes da associação. “Sou sócio praticamente desde que nasci”, conta. Filho de dirigentes, habituou-se desde cedo a participar nos eventos e a ajudar no que fosse preciso. Em 2025, perante a falta de voluntários para assumir a liderança, decidiu avançar. Hoje lidera uma equipa de dezasseis pessoas, numa estrutura que conta com cerca de 120 sócios.
Fundada em 1939, a Casa do Povo de São Facundo nasceu da vontade de um grupo de voluntários da freguesia. O edifício-sede foi construído de raiz para servir a associação e sempre ali funcionou, sendo símbolo do esforço colectivo da população. Ao longo de mais de oito décadas passaram pela colectividade inúmeras gerações de dirigentes e colaboradores. “É uma associação sem fins lucrativos. Vamos tendo algum dinheiro e vamos melhorando dentro do possível”, explica o presidente. Nos últimos anos foram feitas várias intervenções: renovação do telhado há dois anos, instalação de nova iluminação no campo de futebol no ano passado e modernização do bar.
A fase mais difícil da história recente foi durante a pandemia. “Estivemos fechados muito tempo, não havia bar, não havia festa de Verão. Tivemos resultados negativos e foi muito difícil manter os custos sem perder dinheiro”, explica o dirigente. Francisco Alves não tem dúvidas de que esses dois anos foram os mais duros da associação, salientando o esforço da direcção para evitar que a colectividade fechasse portas. Apesar das dificuldades, a Casa do Povo de São Facundo tem procurado renovar-se com equipas directivas cada vez mais jovens.
Futebol, festas e tradição
O futebol é a principal actividade da associação ao longo do ano. A equipa, com cerca de trinta jogadores, compete no INATEL e é a que soma mais anos consecutivos de participação no distrito de Santarém. A associação guarda ainda cartões de jogadores datados de 1950, testemunho de uma longa tradição desportiva. Os jogos em casa, ao domingo, continuam a reunir muita gente à volta do campo.
Em Agosto realizam-se as festas anuais da aldeia, com concertos e música popular. O evento é organizado com verbas próprias e o lucro obtido é fundamental para financiar as melhorias ao longo do ano. Para além disso, o salão recebe regularmente música ao vivo, com DJs, bandas e noites de fado. A programação anual inclui ainda um festival de bombos, com desfile pela aldeia e encontro de grupos, bem como torneios de pesca e de sueca, reforçando o convívio entre gerações.
A sede da Casa do Povo, onde decorre a maior parte das actividades, dispõe de bar, sala de snooker, escritório da direcção, salão polivalente e instalações sanitárias. O bar funciona à sexta-feira e ao sábado à noite. No exterior, o campo de futebol com balneários é outro dos polos de dinamização. Para o futuro, o objectivo é claro: “manter a associação viva e continuar a melhorar as infraestruturas dentro das nossas possibilidades”, sublinha Francisco Alves.
Obrigado a mudar-se para Abrantes devido à falta de fibra óptica
Licenciado em Engenharia Informática pela Escola Superior de Tecnologia de Castelo Branco, Francisco Alves trabalha actualmente a partir de casa, na gestão de um sistema informático de uma empresa. No entanto, a falta de fibra óptica em São Facundo obrigou-o a mudar-se para Abrantes. “Nunca tive fibra óptica em casa. A Internet é muito fraca e não permite trabalhar”, lamenta. Apesar de ter batalhado para que o serviço fosse instalado na aldeia, a situação mantém-se. Vive agora na cidade, numa casa arrendada com a namorada, mas regressa quase diariamente a São Facundo. “No momento em que instalarem a fibra óptica eu volto logo. É aqui que gosto de estar”, reforça o jovem.
Tal como o presidente da associação, muitos habitantes sentem que a freguesia está esquecida a nível do concelho, apontando a falta de infraestruturas como um dos principais entraves à fixação de população jovem. Ainda assim, a Casa do Povo de São Facundo continua a ser o coração da freguesia, um espaço de encontro, resistência e esperança no futuro.


