Alhandra voltou a enterrar o Entrudo com humor e ironia
Apesar dos desafios lançados pelo mau tempo, a comissão do Carnaval da Sociedade Euterpe Alhandrense voltou a concretizar o principal desfile carnavalesco do concelho de Vila Franca de Xira.
Apesar dos desafios lançados pelo mau tempo, a comissão do Carnaval da Sociedade Euterpe Alhandrense voltou a concretizar o principal desfile carnavalesco do concelho de Vila Franca de Xira com centenas de foliões e carros alegóricos feitos com a prata da casa. Um dos momentos mais simbólicos, o enterro do Entrudo na Quarta-feira de Cinzas, voltou a percorrer as ruas da vila, até à leitura do testamento junto ao rio Tejo. No final o santo acabou queimado com fogo de artifício à mistura. O MIRANTE deixa aqui alguns dos versos mais engraçados da noite:
Venham ver o enterro do Entrudo
Está tão bem amanhado
Este aqui não tem futuro
E está sempre no mesmo estado
Deitado no caixão
E vestido a preceito
Todas lhe deitam a mão
Só para tocar no pau feito
Terminou o Carnaval
Este ano está arrumado
Se a câmara não der aval
P’ró ano está acabado
Não querem abrir os cordões
Andam armados em poupados
Ainda perdem as eleições
À conta de meia dúzia de trocados
Se for para dar aos touros
Já há dinheiro a sobrar
Ou à feira de Outubro
Onde só há couratos a assar
Ó presidente da câmara
Não nos leve a mal
Quem não chora não mama
E “chora” é o pessoal
E por falar em presidente
Cá no burgo também temos um
E assim de repente
Também há um zum zum
Já que estamos a dizer mal
É para não estar com lisuras
P’ró ano arruma o enxoval
Já não vendemos farturas
E bailes não faltaram
P’ra animar o pessoal
Mas tarde demoraram
Para sair do curral
Esta malta de Alhandra
Anda pouco animada
Põem os pés na salamandra
E o nariz na almofada
Só sabem dizer mal
Nada está ao jeito
Venham p’rá comissão do Carnaval
Fazer o que ainda não foi feito
E passando aos grupos
Não estiveram nada mal
Uns andavam aos cucos
Outros brincaram ao Carnaval
O Primeiro Classificado
Fez um carro porreiro
Mas com medo do parto
Até lá tinham um bombeiro
Fizeram a casota aos tropeções
Ainda se desfazia em partes
Dizem que foram os garrafões
Eu digo que foi o Hugo Marques
A Sónia fez uma carroça
Para ler a sina a milhas
Quem levou uma grande coça
Foi o pobre do Pastilhas
As meninas da APSA
Não podem ver nada
Vieram do lado de lá
Imitar a rapaziada
Lá foram deitando a mão
Com a ajuda do Silva
Não há bela sem senão
Ainda o mandamos pá pildra
E as meninas da costura?
Só falaram do corte
O povo só murmura
Não lhes gabo a sorte
Deviam ter feito um carro
A imitar um frasco de perfume
Assim, num pote de barro
Mas bem cheio de estrume
Vieram as senhoras da Arruda
Dizem que do Vale Encantado
Vieram desfrutar da companhia
Desfilar ao nosso lado
Havia o carro dos mortos
Um verdadeiro impropério
Até parece que o foram buscar
Lá para os lados do cemitério
E para terminar a gozaria
E não se ficarem a rir
Cuidado sr. Zacarias
Não deixe a comissão extinguir.


