Semana Santa devolve esperança ao Sardoal com um programa repleto de significado
Celebrações decorrem entre 22 de Março e 5 de Abril e voltam a mobilizar a comunidade em torno da fé, da tradição e da identidade local.
A vila de Sardoal volta a viver intensamente a Semana Santa entre 22 de Março e 5 de Abril, num ano em que as celebrações assumem um significado especial após os estragos provocados pela tempestade Kristin. Para o presidente da câmara municipal, Pedro Rosa, este ciclo pascal representa também um momento simbólico de recuperação e esperança para o concelho. “Passámos por um momento de reflexão, de silêncio e de consternação e o dia de Páscoa, reservado à Ressurreição, permite-nos fazer esse paralelismo com os dias que vivemos hoje. Depois da tempestade vem a bonança, o mundo não pode parar e nós também não podemos parar”, afirmou o autarca.
O programa religioso inicia-se a 22 de Março com o Domingo de Passos e a Procissão do Senhor dos Passos, na Igreja da Misericórdia. A 29 de Março celebra-se o Domingo de Ramos, com bênção, procissão e eucaristia. Um dos momentos mais aguardados acontece na Quinta-feira Santa, 2 de Abril, com a Missa da Ceia do Senhor, que inclui a cerimónia do lava-pés e a trasladação do Santíssimo Sacramento. À noite, pelas 21h30, realiza-se a emblemática Procissão do Senhor da Misericórdia, conhecida como Procissão dos Fogaréus, considerada o ponto alto das celebrações. Durante este cortejo religioso, as luzes públicas são apagadas e o percurso é iluminado apenas por velas, archotes e candeias. Nas janelas, varandas e sacadas surgem lanternas acesas, criando um ambiente de profundo recolhimento e misticismo que atrai visitantes de todo o país. Na Sexta-feira Santa decorre a Celebração da Paixão do Senhor e a Procissão do Enterro do Senhor. A Vigília Pascal realiza-se no sábado à noite e as celebrações culminam no Domingo de Páscoa com a Procissão da Ressurreição e a eucaristia solene.
Uma das imagens de marca da Semana Santa do Sardoal são os tapetes ornamentais feitos com pétalas de flores e verduras naturais que decoram igrejas e capelas da vila e das aldeias do concelho. A tradição, que remonta ao século XIX e é considerada única no país, mobiliza associações, grupos locais e habitantes de todas as idades que, na noite anterior à Quinta-feira Santa, trabalham até de madrugada na preparação dos cenários. “É talvez a cerimónia mais genuína que temos. Os sardoalenses, crentes ou menos crentes, cresceram a viver a Semana Santa de uma forma muito própria. É também um momento em que as famílias se reencontram”, sublinha Pedro Rosa. Paralelamente às celebrações religiosas, o município promove um programa cultural diversificado. Entre as iniciativas destacam-se a exposição “Ecos do Divino – Arte Sacra do Sardoal”, no Centro Cultural Gil Vicente, a mostra fotográfica “As Mãos que Fazem Arte”, na Biblioteca Municipal, um mercado de Páscoa com produtores e artesãos locais, o passeio pedestre “Caminhos da Fé”, teatro com a representação da Paixão de Cristo e vários concertos. O tradicional “Doce Quiosque”, instalado nos Paços do Concelho, mantém viva a antiga tradição de venda de amêndoas, ligadas ao costume de os namorados trocarem este doce após as celebrações religiosas.


