Cartoon Xira regressa com muita sátira e um olhar incómodo
Abordar guerras, crises políticas ou líderes mundiais controversos continua a ser um desafio para os cartoonistas. Na 27.ª edição da Cartoon Xira, em Vila Franca de Xira, vários autores defendem que o cartoon deve ser feito com liberdade e sem receio de incomodar. A exposição reúne mais de duas centenas de trabalhos e revisita a actualidade política e cultural.
Abordar temas internacionais sensíveis, como guerras ou crises políticas, não deve ser condicionado pelo receio de incomodar alguém. A ideia foi defendida a O MIRANTE pelo cartoonista João Fazenda, que considera que o trabalho deve ser feito em liberdade. Na inauguração da 27.ª edição da Cartoon Xira, em exibição até 31 de Maio no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira, João Fazenda, que tem os seus trabalhos expostos na mostra, diz que “no cartoon até é boa política incomodar alguém”. Para o ilustrador, o cartoon, tal como o jornalismo, exige sempre uma perspectiva sobre os acontecimentos e não “neutralidade”.
Ao trabalhar para órgãos de comunicação social nos Estados Unidos, João Fazenda admite, por exemplo, que desenha o presidente Donald Trump de forma diferente da que utiliza para Portugal, explicando que a própria agenda editorial da imprensa norte-americana impõe diferentes limites. Entre os temas que mais tem retratado recentemente estão figuras da política internacional e nacional. Em Portugal, o líder do partido Chega, André Ventura, tem sido presença frequente nos seus desenhos.
Sobre a recente guerra contra o Irão e a escalada dos conflitos no Médio Oriente, o cartoonista diz que ainda não fez nenhum cartoon, mas refere que a actualidade exige maior rapidez na resposta artística. “Se não se faz agora, daqui a uma ou duas semanas já mudou tudo e já é outro assunto”, afirmou.
Trump, Putin e Chega os mais retratados em 2025
António Antunes, um dos maiores nomes do cartoon português e curador de mais uma Cartoon Xira, confirma que Donald Trump foi um dos líderes mundiais mais caricaturados ao longo de 2025, mas elege o presidente russo Vladimir Putin como figura central. A nível nacional, as peripécias com o Chega também mereceram muitos desenhos. A actualidade internacional tem colocado novos desafios aos autores de cartoon, sobretudo quando estão em causa temas como a guerra na Ucrânia. Tratar estes assuntos é sempre um desafio para os cartoonistas, refere António Antunes, mas um desafio que os autores devem correr, porque “a devastação existe” e a abordagem tem de ser “mais acutilante”.
No Celeiro da Patriarcal estão expostos 216 cartoons, 110 de artistas nacionais que fazem a retrospectiva do ano na exposição “Cartoons do Ano 2025”: António Antunes, André Carrilho, António Maia, Cristina Sampaio, Henrique Monteiro, João Fazenda, Nuno Saraiva, Pedro Ribeiro Ferreira (que participa pela primeira vez), Pedro Silva, Rodrigo de Matos e Vasco Gargalo. Como sempre a exposição é gratuita.


