Cultura | 20-03-2026 21:00

Cinco séculos de história da Rua Direita em exposição em Vila Franca de Xira

Cinco séculos de história da Rua Direita em exposição em Vila Franca de Xira
Inês Rodrigues e Idalina Mesquita, curadoras do Museu Municipal de VFX, apelam à participação da população - foto O MIRANTE

“Do Mártir Santo à Galache” é o nome da nova exposição do Museu Municipal de Vila Franca de Xira que revisita cinco séculos de história da Rua Dr. Miguel Bombarda, conhecida como Rua Direita. A população é convidada a colaborar com fotografias e objectos antigos que podem ser entregues no museu.

O Museu Municipal de Vila Franca de Xira está a preparar a exposição intitulada “Do Mártir Santo à Galache”, centrada nas memórias da Rua Dr. Miguel Bombarda, popularmente conhecida como Rua Direita, na cidade de Vila Franca de Xira. Idalina Mesquita e Inês Rodrigues são as curadoras da mostra, que estará patente a partir de meados de Abril e até Setembro, na Igreja do Mártir Santo São Sebastião, onde funciona o Núcleo Museológico.
A exposição abrange cinco séculos de história, desde o final do século XVI até aos dias de hoje. As curadoras pretendem envolver a população nesta iniciativa que, segundo Idalina Mesquita, “não é para eruditos, mas para o público em geral que se interessa pelas memórias e pela história da cidade”. Nesse sentido, apelam à colaboração da comunidade através da doação ou empréstimo de fotografias (ou respectiva digitalização), objectos, placas identificativas e tudo o que se relacione com a Rua Direita, que sofreu várias transformações, sobretudo ao nível do comércio, ao longo dos anos. “Temos plantas do século XVIII, e até mais antigas, em que vemos que as inclinações da rua são as mesmas de hoje. Alguns edifícios apalaçados ainda se mantêm”, refere Inês Rodrigues.
Durante a pesquisa e recolha de informação para a exposição, as curadoras descobriram que o semanário “O Pensamento” teve sede na Rua Direita. Naquela artéria existiram também uma tipografia, um ferro-velho, um restaurante, um sapateiro e, mais tarde, funerárias e sapatarias. “Pode ser muito curioso para quem conhece a cidade como está agora, imaginar que alguém de uma geração anterior conheceu outras vivências. Há todo um historial para trás que, sempre que consigamos identificar nas fontes, estará referido na exposição”, explica Idalina Mesquita.

Negócios foram mudando
O pequeno comércio foi sofrendo transformações ao longo dos anos e vários negócios mudaram-se para artérias actualmente consideradas principais. Contudo, a Rua Direita continua a ter muita habitação permanente, explicam as curadoras, e o edificado mais emblemático, como o pátio da Galache, mantém-se.
Antigamente a entrada em Vila Franca de Xira fazia-se a norte. As capelas de São Sebastião eram colocadas às entradas e saídas das vilas para “afastar a peste”. A igreja, fundada pelo rei D. Sebastião, em 1576, é hoje o Núcleo Museológico do Mártir Santo do Museu Municipal de Vila Franca de Xira, inaugurado em 2001 e utilizado para a realização de exposições temporárias, como será o caso da próxima mostra. No interior o altar mantém-se intacto.
Para a futura exposição, as curadoras, através da leitura de publicações da época, nomeadamente anúncios publicitários, perceberam que a Rua Direita era a artéria principal da cidade. “Apelamos às pessoas que venham ao museu mostrar o que têm em casa, mesmo que pensem que não tem valor. Do ponto de vista da informação, um simples papel, fotografia ou jornal pode ser um documento muito importante. Nós não fazemos exposições para nós, fazemos para as pessoas, e esta interacção é algo que gostaríamos que continuasse, porque vai sempre enriquecer qualquer trabalho”, reitera Idalina Mesquita.

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