Cultura | 29-03-2026 15:00

Arte sem fronteiras pintou o rio Tejo no Cartaxo

Arte sem fronteiras pintou o rio Tejo no Cartaxo
Mural na Quinta das Pratas nasce de intercâmbio entre alunos portugueses e alemães - foto O MIRANTE

O Tejo serviu de inspiração a um encontro entre jovens portugueses e alemães que, através da arte, da partilha e da consciência ambiental, deram nova vida a uma parede da Quinta das Pratas, no Cartaxo.

Durante uma semana, a Escola Secundária do Cartaxo foi ponto de encontro entre duas culturas, duas línguas e uma causa comum: a sustentabilidade. Dezasseis alunos, oito portugueses e oito alemães, participaram no projecto Erasmus+ ARTS — Active Responses for Thoughtful European Sustainability, que decorreu entre 15 e 21 de Março, e deixaram na Quinta das Pratas uma marca visível dessa experiência: um mural dedicado à fauna e flora do rio Tejo. A obra, pintada por alunos do curso de Artes da Escola Secundária do Cartaxo com a colaboração dos colegas alemães, retrata vários elementos ligados ao ecossistema do rio, como peixes, algas e lontras. Os desenhos foram criados de raiz pelos próprios participantes e procuram valorizar a ligação histórica da região ao Tejo e à pesca. “Sensibilizar as pessoas para não esquecer de onde a gente veio e sensibilizar que é importante manter esta fauna e flora”, explicou Artur Lima, de 17 anos, um dos alunos portugueses envolvidos no projecto.
A ideia inicial passava por incorporar materiais reciclados no mural, colando-os à parede, mas essa solução acabou por ser abandonada. Os participantes concluíram que, com o tempo, os plásticos poderiam degradar-se, transformar-se em lixo e até representar perigo, sobretudo para as crianças. A pintura acabou, assim, por ser a forma escolhida para transmitir a mensagem ambiental. Para Artur Lima, que integrou o projecto já numa fase final após algumas desistências, a experiência ultrapassou a dimensão artística. “Para além de ser um projecto de pintura, tem a ver com interagir com outras pessoas, tem muito a ver com socializar”, disse o aluno, que quer seguir design. A participação no intercâmbio, sublinha, também lhe mostrou a importância de compreender os outros e trabalhar em conjunto, algo que considera essencial para o futuro profissional.
Do lado alemão, Johanna Hauer, de 16 anos, e Lena Ende, de 17, chegaram ao Cartaxo depois de responderem a um e-mail da professora Astrid Strasser, que as incentivou a candidatarem-se ao programa. Para ambas, a semana em Portugal ficou marcada pelas diferenças em relação ao quotidiano na Baviera. “As casas são completamente diferentes, a comida”, observou Johanna, acrescentando que “o mistério entre fazer novos amigos e fazer arte aqui é muito inspirador”. Quanto ao futuro, os horizontes não são iguais. Artur vê no design a continuação natural do percurso que tem feito nas artes. Johanna, por seu lado, assume que a experiência não alterou de forma decisiva os seus planos. “Não acho que influenciou em relação ao trabalho, para ser honesta”, admitiu. A jovem pondera vir a ser professora de inglês e de desporto, mas diz ter ainda tempo para decidir. O mais importante, garante, foi o lado humano da experiência: “Eu adoro conhecer novas pessoas e fazer novas amizades, mesmo em países diferentes”.
O intercâmbio não termina com o regresso dos alunos alemães a casa. Em Maio, será a vez dos estudantes portugueses viajarem até à Baviera. O programa ainda está a ser afinado, mas deverá incluir contacto com tradições locais e a visita a um castelo da região. Até lá, o mural pintado no Cartaxo ficará como testemunho visível de uma semana de partilha, criatividade e encontro entre jovens de dois países unidos pela arte e pela consciência ambiental.

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