“Paixão” mobilizou centenas de pessoas e transformou Tomar num palco ao ar livre
Encenação de “Paixão”, dirigida por Carlos Carvalheiro e concretizada pelo grupo Fatias de Cá, em parceria com várias entidades e grupos informais, voltou a mostrar o melhor de Tomar: a capacidade de mobilizar, envolver e transformar a cidade num grande palco colectivo.
Com a colaboração da RFE Alviobeira, da Universidade Sénior de Tomar, da Comissão de Festas da Senhora da Piedade, da paróquia, catequistas, escuteiros e muitos outros elementos da comunidade, “Paixão” ocupou ruas, largos e edifícios da cidade, conduzindo o público por um percurso imersivo e intenso, em que a representação saiu do palco para entrar no coração de Tomar. O que “Paixão” mostrou foi que Tomar continua a ter uma impressionante capacidade de organização colectiva, participação comunitária e entrega a projectos exigentes. No passado 29 de Março, mais de duas centenas de participantes deram corpo a um espectáculo de grande exigência logística e artística, que esgotou os 640 lugares disponíveis. Foram semanas de preparação, ensaios, coordenação e articulação entre agentes culturais, institucionais e voluntários, num esforço conjunto.
Espalhada por vários pontos da cidade de Tomar, “Paixão” recuperou a tradição do teatro medieval, quando as representações religiosas ocupavam adros de igrejas e largos públicos, envolvendo a comunidade. Foram encenadas 10 cenas, num percurso que se prolongou por cerca de duas horas, incluindo as procissões entre locais. Mais do que um espectáculo de palco, tratou-se de uma experiência imersiva, onde o público caminhou com a narrativa e foi confrontado com ela no espaço urbano.
A peça sugeriu paralelos entre o ambiente político do século I e a actualidade, onde a manipulação da informação pode redefinir realidades. A intenção foi criar espaço para reflexão. No final, fica uma pergunta dirigida aos espectadores: o que estamos dispostos a sustentar hoje? A fé? A verdade? A dúvida?


