Cultura | 05-04-2026 18:00

Rancho de Torres Novas ensaia na rua em protesto contra falta de condições na sede

Rancho de Torres Novas ensaia na rua em protesto contra falta de condições na sede
Cansados de promessas obrigou o grupo a procurar soluções provisórias para manter a actividade - foto DR

Com actuações à porta e falta de condições de segurança na sede, o Rancho de Torres Novas viu-se obrigado a ensaiar na rua. Dirigente diz estar cansado de promessas. Presidente do município alega que há um espaço disponível para o rancho e que o protocolo está a ser elaborado.

Sem sistema de som, trajes ou os tradicionais sapatos de dança, o Rancho Folclórico de Torres Novas ensaiou ao relento na Praça dos Claras, na noite de sexta-feira, 27 de Março. As músicas soaram a grito de revolta pela falta de condições na sua sede e tentativas de encontrar alternativas junto da Câmara Municipal de Torres Novas. “Ouvimos promessas atrás de promessas e nada feito. Há um ano e meio que andamos a alertar para as más condições da nossa sede e a pedir um espaço alternativo”, diz a O MIRANTE o presidente da colectividade, Nelson Campos.
Segundo Nelson Campos, a sede, cedida pela Câmara de Torres Novas, nunca recebeu uma intervenção de fundo à excepção de pequenas reparações no telhado, que foram manifestamente insuficientes para resolver o problema com as infiltrações de água, que estão a apodrecer o edifício e a permitir a entrada de insectos, répteis e roedores que põem em causa a saúde dos elementos. Recentemente, diz, “caiu mais um pedaço de tecto”. Sem outra alternativa, os ensaios estão suspensos desde Setembro último, o que tem prejudicado o grupo que conta com algumas actuações agendadas. “Temos uma actuação à porta e não tínhamos outra alternativa a não ser ensaiar na rua”, lamenta.
O dirigente diz que tem tentado insistentemente, junto da Câmara de Torres Novas, resolver a situação e que recentemente, em reunião com o presidente e a vice-presidente do município, propôs a cedência de um espaço municipal junto ao mercado que está sem qualquer utilização. No entanto, diz, a autarquia terá a intenção de lá colocar outras duas colectividades, o que iria limitar muito o espaço disponível para o rancho. “Para onde vai o nosso espólio que é imenso?”, questiona, lamentando ainda que a proposta de protocolo não tenha sido ainda agendada para ser votada em reunião do executivo municipal.
O presidente do município, José Trincão Marques, contactado por O MIRANTE, diz que está encontrada a solução para o problema do Rancho de Torres Novas com a cedência desse espaço junto ao mercado. “O que falta é assinar o protocolo que está a ser redigido do ponto de vista jurídico. Não vou assinar nada sem garantir que a elaboração do documento está bem feita”, disse.
No anterior mandato autárquico, o executivo presidido por Pedro Ferreira reconheceu as “perigosas condições de segurança do edifício e elegeu como prioridade a necessidade da colectividade abandonar as instalações” para que fosse alvo de uma intervenção, o que não se verificou. Tal como O MIRANTE deu nota em Novembro passado, a direcção do rancho decidiu suspender os ensaios e começar a empacotar o espólio da colectividade fundada em 1958.

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