Cultura | 08-04-2026 18:00

Centro de Dia de Além da Ribeira ainda espera por apoios para recuperar dos prejuízos

Centro de Dia de Além da Ribeira ainda espera por apoios para recuperar dos prejuízos
IPSS de Tomar continua com danos estruturais significativos - foto DR

Instituição de apoio a idosos, em Tomar, retomou alguma normalidade, mas continua a funcionar num edifício marcado por infiltrações, telhados danificados e obras por fazer. Prejuízos podem chegar aos 300 mil euros.

Dois meses depois da passagem da tempestade Kristin, o Centro de Dia de Além da Ribeira, no concelho de Tomar, continua a lutar para recuperar dos estragos provocados pela intempérie. A instituição já conseguiu devolver alguma rotina e tranquilidade aos cerca de 20 utentes que ali passam os dias, mas o edifício mantém sinais evidentes da destruição, com telhados por reparar, painéis solares partidos, anexos sem cobertura e infiltrações em várias zonas.
O cenário que os responsáveis encontraram na manhã seguinte à tempestade ficou-lhes gravado na memória. “Quando conseguimos chegar ao centro, na manhã seguinte à tempestade, encontrámo-lo completamente destruído, sem condições mínimas para receber os utentes”, recordou à Lusa o padre Tiago Alberto, presidente do Centro Social Paroquial de Além da Ribeira. A prioridade, sublinha, foi garantir que todos os utentes estavam em segurança e reorganizar os serviços mínimos. “Diante desse cenário, a prioridade imediata era garantir o bem-estar de cada utente, organizar o retomar dos serviços com condições mínimas e, ao mesmo tempo, contabilizar os danos. Foi um esforço constante, porque não podíamos deixar ninguém sem cuidados ou acompanhamento”, afirmou.
Apesar das limitações, o centro de dia voltou a funcionar. No salão, os utentes ocupam o tempo entre conversas, trabalhos manuais, televisão e jogos, enquanto na cozinha se mantém o ritmo diário das refeições. Mas a aparência de serenidade contrasta com os estragos ainda visíveis nas paredes e nos tectos, onde persistem remendos e marcas de humidade. Numa freguesia rural e envelhecida, a instituição é vista como um apoio essencial. O edifício sofreu danos avultados e o impacto financeiro está estimado entre 250 e 300 mil euros, verba necessária para obras urgentes e substituição de equipamentos.
O problema, dizem os responsáveis, é que os apoios tardam a chegar. Quer da parte dos seguros, quer do Estado, a resposta continua sem dar o impulso necessário à recuperação total. O padre Tiago Alberto lamenta a fragilidade da resposta institucional, sobretudo em territórios do interior com população envelhecida e poucos recursos. Também o presidente da União de Freguesias de Além da Ribeira, que acumula funções como vice-presidente do Centro Social Paroquial, lembra que os estragos causados pela tempestade não se limitaram ao centro de dia. Segundo o autarca, mais de 250 habitações foram afectadas em toda a freguesia e os prejuízos globais ascendem a cerca de três milhões de euros.
“O centro de dia é uma instituição vital para a parte norte da freguesia, onde a população é muito envelhecida. A União de Freguesias foi das mais afectadas no concelho de Tomar, com mais de 250 casas atingidas, algumas famílias desalojadas e prejuízos estimados em cerca de 3 milhões de euros em todo o território”, afirmou, notando que, só naquela instituição, os danos rondam os 300 mil euros. A junta de freguesia, com um orçamento anual na ordem dos 200 mil euros para uma população de cerca de 1.500 pessoas, tem prestado apoio limitado, mas insuficiente para responder à dimensão do problema. A recuperação tem avançado sobretudo com recursos da própria comunidade e com campanhas solidárias.

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