Centro de Dia de Além da Ribeira ainda espera por apoios para recuperar dos prejuízos
Instituição de apoio a idosos, em Tomar, retomou alguma normalidade, mas continua a funcionar num edifício marcado por infiltrações, telhados danificados e obras por fazer. Prejuízos podem chegar aos 300 mil euros.
Dois meses depois da passagem da tempestade Kristin, o Centro de Dia de Além da Ribeira, no concelho de Tomar, continua a lutar para recuperar dos estragos provocados pela intempérie. A instituição já conseguiu devolver alguma rotina e tranquilidade aos cerca de 20 utentes que ali passam os dias, mas o edifício mantém sinais evidentes da destruição, com telhados por reparar, painéis solares partidos, anexos sem cobertura e infiltrações em várias zonas.
O cenário que os responsáveis encontraram na manhã seguinte à tempestade ficou-lhes gravado na memória. “Quando conseguimos chegar ao centro, na manhã seguinte à tempestade, encontrámo-lo completamente destruído, sem condições mínimas para receber os utentes”, recordou à Lusa o padre Tiago Alberto, presidente do Centro Social Paroquial de Além da Ribeira. A prioridade, sublinha, foi garantir que todos os utentes estavam em segurança e reorganizar os serviços mínimos. “Diante desse cenário, a prioridade imediata era garantir o bem-estar de cada utente, organizar o retomar dos serviços com condições mínimas e, ao mesmo tempo, contabilizar os danos. Foi um esforço constante, porque não podíamos deixar ninguém sem cuidados ou acompanhamento”, afirmou.
Apesar das limitações, o centro de dia voltou a funcionar. No salão, os utentes ocupam o tempo entre conversas, trabalhos manuais, televisão e jogos, enquanto na cozinha se mantém o ritmo diário das refeições. Mas a aparência de serenidade contrasta com os estragos ainda visíveis nas paredes e nos tectos, onde persistem remendos e marcas de humidade. Numa freguesia rural e envelhecida, a instituição é vista como um apoio essencial. O edifício sofreu danos avultados e o impacto financeiro está estimado entre 250 e 300 mil euros, verba necessária para obras urgentes e substituição de equipamentos.
O problema, dizem os responsáveis, é que os apoios tardam a chegar. Quer da parte dos seguros, quer do Estado, a resposta continua sem dar o impulso necessário à recuperação total. O padre Tiago Alberto lamenta a fragilidade da resposta institucional, sobretudo em territórios do interior com população envelhecida e poucos recursos. Também o presidente da União de Freguesias de Além da Ribeira, que acumula funções como vice-presidente do Centro Social Paroquial, lembra que os estragos causados pela tempestade não se limitaram ao centro de dia. Segundo o autarca, mais de 250 habitações foram afectadas em toda a freguesia e os prejuízos globais ascendem a cerca de três milhões de euros.
“O centro de dia é uma instituição vital para a parte norte da freguesia, onde a população é muito envelhecida. A União de Freguesias foi das mais afectadas no concelho de Tomar, com mais de 250 casas atingidas, algumas famílias desalojadas e prejuízos estimados em cerca de 3 milhões de euros em todo o território”, afirmou, notando que, só naquela instituição, os danos rondam os 300 mil euros. A junta de freguesia, com um orçamento anual na ordem dos 200 mil euros para uma população de cerca de 1.500 pessoas, tem prestado apoio limitado, mas insuficiente para responder à dimensão do problema. A recuperação tem avançado sobretudo com recursos da própria comunidade e com campanhas solidárias.


