Tomar chama o povo para decidir Festa dos Tabuleiros de 2027
Tomar volta a decidir o destino da sua maior tradição no dia 18 de Abril, quando a população for chamada a pronunciar-se sobre a realização da Festa dos Tabuleiros em 2027 e a escolher o mordomo que poderá liderar a organização de um dos maiores símbolos do concelho.
A tradição volta a cumprir-se em Tomar e a decisão está nas mãos da população. No dia 18 de Abril, os tomarenses são chamados a dizer se querem ou não a realização da Festa dos Tabuleiros em 2027, num momento carregado de simbolismo que marca o arranque de uma das maiores manifestações culturais e religiosas do país. Segundo o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, a data ficou definida na mais recente reunião do executivo municipal e será formalmente divulgada pelos canais oficiais da autarquia. Além de decidir sobre a realização da festa, a população vai também eleger o mordomo, figura central da organização e preparação do evento. “Falar-vos sobre a Festa dos Tabuleiros significa aproximarmo-nos do momento de chamar o povo a decidir se quer a festa e, se assim for, escolher o mordomo”, afirmou o autarca à Lusa, sublinhando o peso simbólico desta escolha numa tradição profundamente enraizada na identidade do concelho.
Caso a resposta popular seja favorável, a Festa dos Tabuleiros realiza-se em Julho de 2027, mas os preparativos arrancam de imediato. “É um momento especial que marca o início de toda a preparação para a festa. O trabalho começa já”, acrescentou Tiago Carrão. Organizada de quatro em quatro anos, a Festa dos Tabuleiros tem origens pagãs associadas às colheitas, embora tenha adquirido um carácter religioso na Idade Média, sob influência da rainha Santa Isabel. Ao longo dos séculos, tornou-se no maior símbolo festivo e identitário de Tomar, mobilizando as 11 freguesias do concelho e envolvendo milhares de pessoas.
O ponto alto da celebração é a procissão dos tabuleiros, levados à cabeça por raparigas e decorados com pães, flores de papel e uma coroa encimada por uma pomba branca ou pela cruz da Ordem de Cristo. Mas a festa começa muito antes desse momento, com meses de trabalho comunitário nas escolas, associações, lares e outras instituições que ajudam a produzir as flores de papel e a preparar a ornamentação das ruas. A eleição do mordomo é outro dos momentos mais marcantes deste processo. Trata-se da pessoa a quem cabe coordenar a preparação da festa, mobilizar a comunidade e garantir os meios necessários para que a tradição saia à rua. Em 2023, recorde-se, o escolhido pelo povo foi o professor Mário Formiga.


