Cartaxo desafiou pais e educadores a desmontar preconceitos
Numa sociedade cada vez mais diversa e atravessada por discursos de ódio, o Cartaxo abriu espaço à reflexão e à prática da empatia. Um workshop realizado na Quinta das Pratas juntou pais, técnicos e educadores numa manhã de partilha, exercícios e debate sobre interculturalidade, integração e o papel decisivo da escola e da família.
A Quinta das Pratas, no Cartaxo, acolheu na manhã de quinta-feira, 9 de Abril, um workshop dedicado à empatia e à interculturalidade, dirigido a pais, técnicos e educadores. A iniciativa, promovida pelo Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) em parceria com a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN), procurou criar um espaço de reflexão prática sobre os desafios de viver em comunidade num contexto cada vez mais multicultural.
A sessão contou com a participação de Nuno Pinto Martins, formador certificado pela Positive Discipline Association, nos Estados Unidos, fundador da Academia Educar pela Positiva e com percurso profissional nas áreas do Direito, advocacia e jornalismo. O orador conduziu uma manhã marcada por dinâmicas participativas orientadas para a desconstrução de preconceitos e a valorização da entreajuda. Os participantes foram recebidos com material do programa Cartaxo Para Tod@s. A vereadora Fátima Vinagre marcou presença no arranque da iniciativa e associou o workshop à estratégia municipal de coesão territorial. A autarca destacou o trabalho que o município tem vindo a desenvolver na área da gestão de conflitos e emoções, apontando como exemplo a sala Snoezelen da Escola Marcelino Mesquita, e sublinhou a importância de momentos de reflexão capazes de ajudar a encontrar caminhos para relações mais inclusivas. “Iniciativas como esta contribuem para o fortalecimento das nossas comunidades”, afirmou.
Nuno Pinto Martins foi lançando desafios à plateia, pedindo sinceridade e abertura perante os temas abordados. Numa das dinâmicas, os participantes foram convidados a comentar várias fotografias, sendo depois confrontados com a realidade das histórias ali representadas, numa tentativa de mostrar como os estereótipos se constroem com facilidade e como podem distorcer a forma como se olha para o outro. O formador distinguiu também simpatia de empatia e procurou traduzir essa diferença em exercícios concretos. Num dos momentos mais ilustrativos, trocou os sapatos com uma participante que tinha defendido que “empatia é calçar os sapatos do outro”. Noutra actividade, os presentes tentaram atar os próprios sapatos usando apenas uma mão. Quando lhes foi permitido pedir ajuda a alguém ao lado, aumentou significativamente o número de pessoas que conseguiu cumprir a tarefa, num exemplo simples da forma como a empatia e a cooperação podem facilitar a superação de dificuldades.
A sessão abordou ainda a forma como a empatia se desenvolve desde os primeiros momentos de vida, na relação entre o adulto e o bebé, e o papel decisivo da escola e da família nesse processo. Nuno Pinto Martins reconheceu que nem sempre existe sintonia entre os dois contextos. “Muitas vezes a escola considera que os pais são o entrave àquilo que se faz na escola, os pais muitas vezes também se queixam da escola e temos muitas vezes dificuldade em remar para o mesmo lado”, observou. No final, Nuno Pinto Martins deixou uma mensagem simples sobre aquilo que gostaria que os participantes levassem consigo. “São os gestos simples que fazem a diferença. Se estivermos atentos ao outro, um simples gesto, às vezes um simples olhar, o estar atento, o ‘olha, estou aqui para ti’, faz toda a diferença”, concluiu.


