Cultura | 20-04-2026 15:00

João Maria Ferreira: o olhar de um artista sobre Santarém e o Ribatejo

João Maria Ferreira: o olhar de um artista sobre Santarém e o Ribatejo
Artista João Maria Ferreira expressa-se através do desenho e da pintura - foto O MIRANTE

Entre o desenho, a pintura, a escultura e o ensino, João Maria Ferreira, artista escalabitano, afirma uma obra marcada pela figura humana, pela honestidade criativa e pela ligação, ainda em construção, a Santarém e à região ribatejana.

A arte nunca lhe surgiu como desvio nem como descoberta tardia. Foi, diz João Maria Ferreira, um caminho natural, traçado desde a infância pelo fascínio persistente do desenho e por uma dedicação que nunca esmoreceu. “Não me vejo a fazer outra coisa”, assume o artista de Santarém, para quem a criação sempre foi um destino inevitável. Maioritariamente figurativo, como explica a O MIRANTE, encontra no desenho e na pintura os principais meios de expressão, sem excluir outras linguagens que também têm marcado o seu percurso, como a escultura, o cartoon ou a banda desenhada. No seu universo artístico reconhece influências de nomes maiores como Paula Rego, Graça Morais, David Hockney, Goya, Freud, Rodin ou Júlio Pomar, referências que ajudam a compor aquilo a que chama a sua “família artística”.
A escolha do meio para cada obra nasce, muitas vezes, de um equilíbrio entre impulso e intenção. O rosto humano surge como uma obsessão assumida. A família, as pessoas mais próximas, os sentimentos e as emoções alimentam uma obra que também se deixa atravessar por viagens, livros, conversas, animais, mitologia e filosofia. Pelo meio, permanece uma inquietação de fundo, quase juvenil, que continua a mover o seu trabalho: a tentativa de perceber o lugar do ser humano no mundo, refere. Apesar de reconhecer que o que o rodeia influencia profundamente a sua criação, admite que a relação com Santarém e com o Ribatejo ainda está em processo de compreensão. Depois de viver noutros lugares, regressou e fixou-se definitivamente na cidade há cerca de três anos, sentindo que há uma ligação funda à terra de origem, embora ainda difícil de definir com clareza.
O processo criativo, explica, nasce sobretudo da necessidade de fazer. Mais do que planear, importa executar, vinca. É no gesto, no esboço e na prática que o pensamento se organiza. Ainda assim, quando se trata de encomendas, exposições ou projectos públicos, o trabalho segue uma direcção mais linear, garante. Entre as obras que mais o marcaram destaca uma escultura de um pescador, feita em arame e cortiça, evocativa da memória dos dois avós. A peça, exposta na Bienal de Coruche, recebeu uma menção honrosa e permanece como um marco afectivo e artístico no seu percurso.
Além da produção artística, o atelier que mantém em Santarém é também espaço de ensino. Procura criar um refúgio criativo para alunos de várias idades, onde a aprendizagem técnica se cruza com a partilha humana. Ensinar, acrescenta, também o obriga a repensar a sua própria prática e a manter vivo o contacto com novas ideias e diferentes olhares. Entre os sonhos que ainda quer concretizar estão a realização de exposições fora de Santarém e a publicação de uma banda desenhada há muito adiada. Pelo meio, continua a intervir no espaço público, como acontece no mural do Jardim da República, em Santarém, onde procurou condensar símbolos e referências da identidade ribatejana.

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