Cultura | 22-04-2026 15:00

Filarmónica de Alenquer renova direcção e reconhece dificuldade em recrutar pessoas para o associativismo

Filarmónica de Alenquer renova direcção e reconhece dificuldade em recrutar pessoas para o associativismo
Abel Pereira foi reeleito presidente da Sociedade União Musical Alenquerense  - foto O MIRANTE

Sociedade União Musical Alenquerense iniciou um novo ciclo com direcção renovada e planos ambiciosos para modernizar a colectividade e reforçar a participação dos sócios. Abel Pereira foi reeleito para um mandato de três anos e fala a O MIRANTE sobre a dinâmica da colectividade.

Abel Pereira foi reeleito presidente da direcção da Sociedade União Musical Alenquerense (SUMA) por mais três anos. Os estatutos da colectividade foram alterados e, por isso, os órgãos sociais passam de dois para três anos nos respectivos cargos. Cada vez é mais difícil ter pessoas disponíveis e comprometidas com o movimento associativo, daí a mudança, disse o dirigente a O MIRANTE. Os novos órgãos sociais, que tomaram posse a 12 de Março, têm elementos entre os 20 e os 59 anos, sendo que três são mulheres.
Entre as prioridades da direcção para o novo mandato estão a actualização da base de dados de sócios, a dinamização de uma campanha de angariação de associados e a realização de um inventário rigoroso de todo o património da SUMA. A direcção pretende identificar, quantificar e registar todos os bens existentes, desde instrumentos a equipamentos, num processo que deverá ficar concluído no prazo de três anos, apostando também na modernização e informatização dos serviços. A SUMA tem 362 sócios activos e a cobrança das quotas ainda é feita porta-a-porta por um cobrador. Devido à sua idade, deverá deixar de fazer este serviço em breve e, por isso, há que trabalhar em alternativas.

Telhado da sede vai ser reparado
Abel Pereira adianta que a situação financeira da SUMA é estável. Nos últimos dois anos, a colectividade reforçou a poupança em cerca de 10 mil euros e investiu aproximadamente 40 mil euros em instrumentos, fardas e equipamentos. “O preço de um instrumento musical é brutal. As pessoas não imaginam quanto custa uma tuba, por exemplo. Nós próprios, como direcção, se calhar não temos noção do valor que está naquela sala: são 67 instrumentos que ascendem a milhares de euros”, explica.
Ao nível das instalações, a colectividade enfrenta problemas de infiltrações, que causaram danos no telhado, nas portas e em alguns equipamentos da cozinha. Agora, com o bom tempo, avançam as obras de reparação. A direcção pondera também investimentos na eficiência energética, mas condiciona essas decisões à definição do futuro do edifício, que pertence à Câmara de Alenquer e é utilizado em regime de direito de superfície. “Para colocar o sistema de LED, temos de perceber se realmente vale a pena. Isso depende se vamos estar aqui dois anos ou se vamos estar vinte. Só sabendo as intenções do novo executivo da câmara é que podemos tomar decisões”, referiu.

Mais músicos e mais qualidade
As origens da SUMA remontam aos finais do século XIX, com a criação, a 1 de Dezembro de 1890, da Sociedade Philarmónica Operária Alenquerense. A partir de 1 de Dezembro de 1909 passou a chamar-se Sociedade de Instrução e Recreio que, posteriormente, em 1924, viria a mudar para Sociedade Filarmónica de Alenquer. O actual nome existe desde 8 de Janeiro de 1949. O livro “Memórias da Arcada” retrata precisamente os primeiros 118 anos da SUMA, sendo objectivo da direcção lançar outro livro que retrate os restantes anos até à actualidade.
A banda principal da SUMA tem 67 músicos e a banda juvenil cerca de 25 elementos. A escola de música tem crianças desde os seis anos que, depois, se quiserem, passam para a banda juvenil e, posteriormente, para a banda sénior. “Temos professores nesta escola com 25 anos de casa. Estamos numa fase de crescimento, tanto ao nível de músicos como também de qualidade ao nível dos espectáculos e concertos”, sublinha Abel Pereira.

José Carlos e Mateo Jentimir são os músicos mais antigo e mais recente da banda da SUMA - foto O MIRANTE

Gerações unidas pela música

José Carlos toca na SUMA há meio século e é um dos elementos mais antigos da banda. Actualmente com 63 anos, entrou para a colectividade aos 13, por iniciativa própria, motivado pelo gosto pela música. A longevidade de cinco décadas numa filarmónica explica-se, diz, pelo ambiente vivido na instituição, marcado pela amizade e pelo gosto pela música. Ainda assim, reconhece que o percurso exige dedicação e alguns sacrifícios, nomeadamente ao nível da vida familiar. “Consegue-se com esforço e com gosto, principalmente com gosto”, sublinha.
A ligação à banda acabou também por marcar a sua vida pessoal. Foi na SUMA que conheceu a esposa, também ela música, com quem viria a casar. A filha também chegou a fazer parte da banda. José Carlos passou por vários instrumentos, começando no saxofone, depois no bombardino e no trombone, até chegar à tuba, que actualmente integra por preferência pessoal.
Um dos aspectos que mais valoriza é a convivência entre diferentes gerações dentro da banda. “Quando entrei havia pessoas muito mais velhas e agora sou eu um dos mais velhos. Esta mistura de gerações é muito interessante”, afirma, acrescentando que essa diversidade contribui para a aprendizagem contínua.
Ao lado, o músico mais novo, Mateo Jentimir, de 11 anos, entrou na banda em 2025, depois de ver a irmã a tocar nos ensaios. Começou com o saxofone alto e, depois, por causa do peso do instrumento, passou para o clarinete. Ensaia e toca em casa todos os dias e, na SUMA, duas vezes por semana. Já tocou em alguns concertos, mas deixa o futuro musical em aberto, até porque está a fazer o que gosta.

Concerto de gala é um dos eventos mais participados

O concerto de gala, realizado todos os anos a 8 de Dezembro, é um dos momentos mais marcantes do calendário da SUMA. Juntam-se as comemorações do 25 de Abril e a actuação na festa de Santa Quitéria de Meca, entre outros. As bandas têm a direcção do maestro João Raquel, que tem uma vasta experiência a dirigir músicos.
No âmbito do projecto Erasmus em que a colectividade está envolvida, a SUMA vai receber este ano, durante o evento Alma do Vinho, jovens músicos de Espanha e Itália, promovendo a troca de experiências entre bandas e escolas de música. A iniciativa prevê ainda uma deslocação conjunta a Itália no próximo ano, que assinalará o encerramento do programa.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias