Santarém posiciona-se para acolher Centro Interpretativo do 25 de Abril
Com a indefinição em relação à construção de um espaço dedicado ao 25 de Abril em Lisboa, a Câmara de Santarém decidiu manifestar ao Governo a disponibilidade para acolher essa valência na antiga Escola Prática de Cavalaria, no âmbito do projecto mais abrangente que é o Museu de Abril e dos Valores Universais.
O presidente da Câmara de Santarém propôs ao Governo receber o Centro Interpretativo do 25 de Abril, afirmando que o município tem “total disponibilidade” para acolher um projecto de âmbito nacional que considera de “inequívoca relevância”. Na reunião do executivo de segunda-feira, 27 de Abril, João Leite considerou que Santarém é “o local natural” para a concretização do centro, sublinhando o papel histórico da antiga Escola Prática de Cavalaria, de onde partiu, na madrugada de 25 de Abril de 1974, a coluna liderada por Salgueiro Maia.
O ministro da Presidência, Leitão Amaro, havia admitido também no domingo, 26 de Abril, que o futuro Centro Interpretativo do 25 de Abril pode vir a ser instalado em Santarém, referindo que foi contactado pelo presidente da Câmara, que fez essa proposta ao Governo.
João Leite aponta a localização central e as boas acessibilidades como factores que reforçam o potencial daquele espaço enquanto “pólo de memória, visitação e estudo” e defendeu que a instalação do centro em Santarém contribuirá para a coesão territorial. “O país não é só Lisboa e Porto”, afirmou, considerando que esta é uma oportunidade para a política pública demonstrar uma “verdadeira descentralização”.
De acordo com o presidente da autarquia, o projecto prevê um espaço nacional de referência dedicado "à valorização da Revolução dos Cravos e à promoção dos valores da liberdade, da democracia e da cidadania". O projecto prevê ainda o recurso a inovação tecnológica, como realidade virtual e aumentada, plataformas digitais interactivas e programas pedagógicos dirigidos às novas gerações, com o objetivo de explicar o impacto nacional e internacional da revolução.
A proposta do município surge após o Governo ter indicado que a instalação do Centro Interpretativo do 25 de Abril no edifício inicialmente previsto, no Terreiro do Paço, é inviável. Numa resposta enviada à Lusa, fonte do Governo explicou que a solução protocolada assentava na utilização das actuais instalações do Ministério da Administração Interna (MAI), mas esse pressuposto deixou de se verificar, uma vez que o ministério vai manter-se naquele local. A mesma fonte acrescentou que também não está prevista a utilização, para esse fim, da área do Terreiro do Paço actualmente ocupada pelos serviços do Ministério da Agricultura.
Questionada pela Lusa, a fonte oficial indicou que, no âmbito do diálogo com as entidades envolvidas, foram sugeridas alternativas de localização, incluindo um espaço na Pontinha, no concelho de Odivelas, onde se situou o posto de comando do Movimento das Forças Armadas, a partir do qual foram conduzidas as operações militares do 25 de Abril. Segundo o Governo, mantém-se a abertura para procurar soluções.


