Sardoal fecha 2025 no vermelho apesar de execução orçamental acima dos 80%
Resultado líquido negativo ronda os 547 mil euros. Oposição alerta para aumento da dívida, quebra de receitas próprias e peso das despesas com pessoal, enquanto o executivo aponta o dedo aos custos impostos pelo Estado e à transferência de competências sem financiamento adequado.
A Câmara Municipal de Sardoal aprovou o relatório de contas de 2025 com um resultado líquido negativo de cerca de 547 mil euros, apesar de o documento apresentar níveis de execução orçamental que o executivo considera positivos. A receita teve uma execução de 91% e a despesa fixou-se nos 84%, números que, para a maioria, demonstram rigor na gestão municipal. O relatório revela ainda uma redução do prazo médio de pagamento a fornecedores para 44 dias, indicador apresentado como sinal de maior capacidade de resposta financeira. Mas os números não travaram as críticas da oposição, que vê nas contas municipais sinais preocupantes de fragilidade estrutural.
Os vereadores Pedro Duque e Miguel Alves alertaram para o aumento da dívida total, sobretudo a de médio e longo prazo, e para a diminuição das receitas próprias, considerando que o município está cada vez mais dependente das transferências do Estado. Uma dependência que, na sua leitura, limita a autonomia financeira da autarquia e reduz a margem de manobra para responder às necessidades do concelho.
Um dos pontos mais debatidos foi o peso das despesas com pessoal, que atingem valores recorde e representam mais de metade da despesa total. A oposição defendeu maior contenção e uma gestão mais eficiente dos recursos humanos, admitindo a existência de desequilíbrios em alguns serviços municipais. O presidente da câmara, Pedro Rosa, rejeitou a leitura mais crítica e justificou o agravamento da despesa com factores externos, nomeadamente a valorização obrigatória das carreiras da função pública e o reforço de serviços essenciais nas áreas da educação e da protecção civil. O autarca sublinhou ainda que a transferência de competências do Estado para os municípios continua a gerar encargos que nem sempre são acompanhados pelo financiamento necessário.
Pedro Rosa deixou também um aviso para os próximos anos, em especial perante a eventual redução de fundos comunitários em áreas como a requalificação urbana. Num concelho de pequena dimensão como Sardoal, qualquer quebra no financiamento externo poderá agravar a pressão sobre o orçamento municipal e obrigar a uma gestão ainda mais apertada.


