Bruno do Carmo leva o acordeão aos lares sem pedir nada em troca
Leva o acordeão de lar em lar, sem cobrar um cêntimo, e encontra na música uma forma de devolver memórias, alegria e companhia a quem mais precisa. Bruno do Carmo, de 25 anos, funcionário da Escola Secundária do Cartaxo, tem transformado os fins-de--semana em momentos de voluntariado.
Leva o acordeão de lar em lar, sem pedir nada em troca, e faz da música uma ponte para a memória de quem o ouve. Bruno do Carmo, de 25 anos, funcionário da Escola Secundária do Cartaxo, encontrou no voluntariado uma forma de pôr o talento ao serviço dos outros e, quase todos os fins-de-semana, anima idosos em instituições do Cartaxo e de Santarém com temas da música popular portuguesa. O que começou de forma simples, com vídeos publicados nas redes sociais, acabou por transformar-se numa presença regular em vários lares da região. Foram as próprias instituições a procurá-lo, atraídas pela forma como o jovem acordeonista consegue despertar emoções através de melodias bem conhecidas. “Elas adoram por lhes fazer lembrar tempos antigos”, resume Bruno a O MIRANTE.
A relação com o acordeão começou cedo. Tinha apenas 11 anos quando entrou para a Sociedade Filarmónica Cartaxense, depois de a curiosidade pelo instrumento ter sido alimentada pela mãe e por imagens que via na televisão. Foi ali que deu os primeiros passos, com a professora Maria João. Mais tarde ainda interrompeu o percurso durante três anos, mas o afastamento do instrumento acabou por pesar. A vontade de recuperar o prazer de tocar falou mais alto e Bruno regressou ao acordeão. Esse regresso marcou também uma nova etapa de aprendizagem. Estudou com a professora Andreia Sofia até Janeiro de 2024 e, desde Setembro desse ano, passou a ter aulas com Fernando da Lapa, pai do acordeonista Adriano da Lapa. As aulas são individuais, decorrem uma vez por semana, à terça-feira, e têm ajudado a consolidar uma dedicação cada vez mais séria ao instrumento.
O repertório que leva aos palcos improvisados dos lares é composto por música popular portuguesa, com temas como Desgarradas ou Apita o Comboio. É o próprio Bruno quem escolhe o alinhamento de cada actuação, preparando em casa aquilo que depois apresenta ao público. Apesar de trabalhar durante a semana na Escola Secundária do Cartaxo, garante que não tem sido difícil conciliar a vida profissional com esta paixão. Nem a pandemia o afastou da música. Nessa altura continuou a ter aulas online e chegou mesmo a fazer actuações em directo pela internet. Foi também nesse período que começou a publicar vídeos no Facebook, gesto que acabou por abrir as portas dos lares onde hoje toca com regularidade. Já actuou no Museu do Vinho do Cartaxo, espaço onde decorreu esta entrevista e onde também levou música a quem ali trabalha.
Bruno do Carmo tem o sonho de aparecer na televisão. Já se inscreveu em vários programas, sem sucesso até ao momento. Mas não desarma. E é com essa persistência que deixa também um conselho a quem pensa seguir o mesmo caminho: “Nunca desistir e tentar as vezes que forem precisas”.


