Cultura | 06-05-2026 12:00
Tejo volta a ser caminho de fé e memória com cruzeiro ibérico de 380 quilómetros
XII edição do Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo arranca a 9 de Maio, em Rosmaninhal, Idanha-a-Nova, e termina a 27 de Junho, em Oeiras. A peregrinação fluvial, guiada pela imagem de Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo, vai ligar comunidades ribeirinhas de Portugal e Espanha ao longo de 20 etapas.
Durante sete semanas, será caminho de fé, memória e identidade para dezenas de comunidades ribeirinhas de Portugal e Espanha, com a realização da XII edição do Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo, promovido pela Confraria Ibérica do Tejo. A iniciativa arranca no sábado, 9 de Maio, em Rosmaninhal, no concelho de Idanha-a-Nova, seguindo depois para Alcântara, em Espanha, antes de regressar a território português e descer o rio até Oeiras, onde a chegada está prevista para 27 de Junho. Ao todo, o percurso terá cerca de 380 quilómetros, distribuídos por 20 etapas fluviais.
Guiado pela imagem de Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo, o cortejo integra embarcações tradicionais, com destaque para as bateiras dos pescadores avieiros, acompanhadas por barcos lúdicos e de pesca que se vão juntando à peregrinação nas várias localidades. Sob o lema “Nas margens do rio está a árvore da Vida”, o cruzeiro assume uma forte dimensão religiosa, cultural e ibérica, procurando reforçar os laços entre populações que cresceram e viveram em relação directa com o Tejo. A organização sublinha que o evento pretende valorizar a memória do rio enquanto antiga “autoestrada” de transporte de mercadorias e pessoas, num tempo em que as águas do Tejo eram espaço intenso de trabalho, circulação e sobrevivência.
A Confraria Ibérica do Tejo recorda que, apesar da perda dessa centralidade económica, permaneceram ao longo das margens as comunidades piscatórias, guardiãs de saberes, tradições e modos de vida profundamente ligados ao rio. São essas comunidades, em especial as avieiras, que voltam agora a estar no centro da peregrinação. A componente religiosa está também ligada à história dura da navegação fluvial. A organização lembra que as dificuldades e perigos do rio alimentaram, ao longo de gerações, uma devoção intensa entre pescadores e famílias ribeirinhas. Foi nesse contexto, e na sequência de estudos desenvolvidos pelo Instituto Politécnico de Santarém sobre os Avieiros, em articulação com a Igreja Católica, que nasceu a devoção a Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo. A chegada do cruzeiro às aldeias e comunidades ribeirinhas será assinalada com bandas filarmónicas, piqueniques, celebrações religiosas, actividades culturais e iniciativas desportivas, envolvendo populações locais, associações, autarquias e entidades ligadas ao património e à navegação. Segundo a organização, o cruzeiro conta com o apoio de mais de 200 entidades, entre municípios, associações, forças de segurança e organismos públicos. O programa poderá sofrer alterações em função das condições do rio.
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