Associação de moradores dá nova vida a Abrançalha de Baixo
Associação de Moradores transformou--se no coração da aldeia, mas enfrenta um problema que ameaça o futuro: a falta de renovação geracional.
A Associação de Moradores de Abrançalha de Baixo (AMAB), no concelho de Abrantes, é um ponto de encontro, um espaço de convívio e um símbolo da identidade da aldeia. Sustentada por décadas de entreajuda, a associação continua a ser o motor da comunidade, muito por força da dedicação da presidente, Vera Pedro, de 47 anos, natural de Abrantes, que lidera a direcção há três mandatos. As raízes do associativismo em Abrançalha de Baixo remontam aos anos 30, quando os moradores criaram a Sociedade de Apoio a Funerais, um exemplo de solidariedade entre vizinhos, assente em pequenas contribuições para apoiar as famílias em caso de morte de familiares. Mais tarde surgiu uma Comissão de Moradores, embrião da actual associação. Vera Pedro recorda como um dos momentos mais importantes dessa fase inicial a cedência de terrenos pela família Simão, nome incontornável da história local. Foi nesse espaço que, entre as décadas de 70 e 80, nasceram as primeiras infra-estruturas da associação, como as bancadas do ringue, a cozinha, o bar e os balneários. Mais tarde foram construídos assadores e feitos outros melhoramentos que permitiram dar resposta às festas da terra, tradição que continua a juntar a população no final de Maio e início de Junho.
Ao longo dos anos, a AMAB foi crescendo e chegou a acolher torneios de futebol de salão, um rancho folclórico e um grupo de ginástica rítmica. Algumas dessas iniciativas perderam-se com o tempo, mas a associação voltou a ganhar novo fôlego quando Vera Pedro assumiu a presidência. Nessa altura, o edifício estava longe de estar concluído. “A parte de cima ainda estava em bruto e não havia dinheiro para a finalizar de imediato. Eu dizia muitas vezes que só com o Euromilhões é que conseguia acabar a obra, mas felizmente não foi preciso”, conta. Nos últimos anos foram inauguradas novas salas, melhorado o espaço exterior e criadas melhores condições para receber actividades e eventos. Um dos projectos de que mais se orgulha foi a pavimentação do recinto, com a construção do ringue, das bancadas e a colocação de pavê.
Cada melhoria foi também aproveitada para homenagear quem ajudou a construir a história da associação. O ringue recebeu o nome de José Simão, num gesto de reconhecimento pela cedência dos terrenos por parte da família. Hoje, a AMAB conta com cerca de 400 sócios e tem vindo a ganhar notoriedade também fora da aldeia. As actividades promovidas esgotam com frequência e os espaços são cada vez mais procurados para eventos externos. Mas, acima de tudo, a associação mantém-se como um lugar essencial para a comunidade local, em especial para os mais idosos. “Há pessoas que vêm cá todos os dias tomar o pequeno-almoço, ler o jornal ou simplesmente conviver”, revela Vera Pedro. Apesar da entrega, a responsável não esconde o desgaste. Conciliar a vida profissional, familiar e associativa “não tem sido tarefa fácil”. Ainda assim, garante que não desiste.
A direcção promove almoços, festas e outras iniciativas ao longo do ano para manter o espaço vivo e sustentável. A autonomia financeira, porém, exige um esforço permanente. Só a factura da electricidade ronda os 500 euros mensais. E há outro problema que inquieta Vera Pedro: a falta de envolvimento dos mais novos no associativismo. “Eu estou aqui pelas pessoas de 70 e 80 anos, não estou aqui pelas pessoas da minha idade ou mais novas”, admite. A maioria dos elementos da direcção já ultrapassou os 70 anos e, actualmente, são sobretudo as mulheres que asseguram o funcionamento da casa. “Antigamente eram os homens que faziam tudo. Hoje são as mulheres que estão à frente”, sublinha.


