Sabores do Toiro Bravo podem mudar de formato por falta de mão-de-obra em Coruche
Falta de pessoal está a afastar restaurantes do certame gastronómico de Coruche. Câmara admite repensar o modelo para reduzir custos e exigências logísticas, podendo avançar para soluções de self-service ou serviço ao balcão.
A 22.ª edição dos Sabores do Toiro Bravo decorreu entre 30 de Abril e 3 de Maio, em Coruche, mantendo a aposta na gastronomia, na tradição e na identidade ribatejana. Mas, por trás do ambiente festivo, ficou claro que o futuro do evento poderá passar por uma reformulação. A falta de mão-de-obra no sector da restauração está a dificultar a participação de restaurantes e associações e levou o município a admitir mudanças no modelo. Na inauguração, a 30 de Abril, o presidente da Câmara Municipal de Coruche, Nuno Azevedo (PS), destacou a capacidade do concelho em “transformar tradição em oportunidade”, sublinhando o papel do certame na dinamização económica e na valorização das raízes locais. “Coruche sabe receber, valoriza as suas tradições e transforma-as em experiências diferenciadoras capazes de atrair visitantes e criar oportunidades”, afirmou.
Também Pedro Beato, vice-presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, realçou a importância dos Sabores do Toiro Bravo enquanto expressão da identidade regional, lembrando que o território tem muito mais para valorizar para além da festa brava. “Há muito mais que podemos valorizar, desde o património ligado ao cavalo, às artes e ofícios e à autenticidade dos territórios”, disse, considerando o evento um exemplo de equilíbrio entre inovação e tradição.
A redução do número de participantes foi tema de discussão no executivo municipal. O vereador Francisco Gaspar (PSD) questionou a menor adesão de restaurantes e associações, defendendo que é necessário avaliar se o formato actual continua a responder às expectativas. “Parece-me que estamos a perder algum vigor”, afirmou, recordando que nas primeiras edições havia maior movimento, sobretudo ao jantar e ao domingo. A resposta da maioria apontou para um problema que há muito afecta o sector: a dificuldade em recrutar trabalhadores. Nuno Azevedo explicou que, embora a autarquia garanta gratuitamente o espaço e as condições de participação, os restaurantes enfrentam custos elevados com pessoal e têm dificuldade em assegurar equipas suficientes. “Não é falta de vontade, é falta de capacidade para assegurar o serviço”, referiu o autarca, admitindo que uma das soluções poderá passar por modelos de self-service, menos dependentes de mão-de-obra. O presidente da câmara acrescentou que houve restaurantes que recusaram participar por não conseguirem garantir a viabilidade económica da presença no certame. Segundo explicou, há participantes que precisam de servir um número muito elevado de refeições para compensar os custos de deslocação, instalação e funcionamento na praça de toiros. “Temos que encontrar um modelo com menos despesas associadas para termos mais oferta”, reconheceu.
A vereadora Susana Cruz (PS) confirmou que, ainda durante a preparação do evento, duas participações foram canceladas devido à dificuldade em encontrar trabalhadores. “Os recursos humanos não estão nada fáceis, nem no sector privado nem no associativo”, afirmou, admitindo que a situação obriga a repensar o formato, apesar de os resultados continuarem a ser positivos para quem consegue participar. O vereador Dionísio Mendes defendeu um regresso a um modelo mais próximo das antigas Tasquinhas do Toiro Bravo, com serviço de balcão e maior circulação de público. Para o eleito, esse formato permitiria reduzir a exigência logística e adaptar o evento à realidade actual.


