Cultura | 15-05-2026 10:00
Bodo regressa a Sardoal para manter viva tradição com mais de cinco séculos
foto PAULO JORGE DE SOUSA
A Festa do Espírito Santo volta a juntar fé, memória e partilha no coração de Sardoal, no dia 24 de Maio. A celebração, também conhecida como Festa do Bodo, inclui missa campal, procissão histórica e almoço comunitário aberto à população e visitantes.
O Sardoal volta a cumprir, no dia 24 de Maio, uma das suas mais antigas tradições religiosas e culturais. A Festa do Espírito Santo, também conhecida como Festa do Bodo, regressa ao concelho com missa campal, procissão e almoço comunitário, numa celebração com raízes seculares e forte ligação à identidade local. A festa, que se realiza 50 dias depois da Páscoa e decorre de dois em dois anos, tem registos anteriores a 1470. Em 2023 foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, reconhecimento que, segundo o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Pedro Rosa, veio “realçar e dignificar ainda mais” a importância desta manifestação. “Esta festa tem uma importância muito grande porque segue o ciclo pascal e é uma tradição bastante enraizada aqui na nossa comunidade”, afirmou o autarca, sublinhando a vontade do município em preservar uma celebração que atravessou séculos.
As cerimónias começam na manhã de 24 de Maio, na Praça da República, com uma eucaristia campal acompanhada pela Guarda de Honra dos Bombeiros Municipais e pela Filarmónica União Sardoalense. Durante a celebração, 20 jovens vestidas de branco transportarão à cabeça os tabuleiros com pão benzido, símbolo da dádiva às populações mais desfavorecidas. “Estas meninas vão transportar o pão que simboliza esta dádiva às pessoas mais desfavorecidas”, explicou Pedro Rosa, acrescentando que o pão benzido é habitualmente guardado e consumido apenas no ano seguinte.
Depois da missa, realiza-se a procissão até ao Convento de Santa Maria da Caridade, com figurantes trajados à maneira do final do século XIX, numa recriação histórica das antigas celebrações do concelho. A procissão culmina com o tradicional Bodo, almoço comunitário aberto a todos, preparado em parceria com a Santa Casa da Misericórdia. “Quem quiser participar pode participar”, frisou o presidente da câmara, destacando que a autarquia pretende manter viva “a celebração desta memória” associada à partilha alimentar que marcou historicamente a festa. A organização está a cargo da Câmara Municipal de Sardoal e da Paróquia de São Tiago e São Mateus, com o apoio da Santa Casa da Misericórdia, juntas de freguesia, bombeiros, GNR e associações locais.
Para Pedro Rosa, a iniciativa integra também a estratégia municipal de valorização do turismo religioso e cultural. O autarca lembra que Sardoal é já reconhecido pelas celebrações da Semana Santa, pelas procissões e pelos tapetes de flores, considerando que a Festa do Bodo ocupa igualmente um lugar central no calendário religioso do concelho. A Câmara Municipal disponibiliza transporte gratuito de ida e volta para residentes no concelho que pretendam participar nas celebrações, mediante inscrição até 19 de Maio.
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