Cultura | 17-05-2026 18:00

Escutismo em Abrantes continua a formar jovens para a paz, empatia e diálogo

Escutismo em Abrantes continua a formar jovens para a paz, empatia e diálogo

20.ª Escapadinha dos Mourões juntou cerca de 700 escuteiros em Abrantes. A chefe do Agrupamento 697, Ana Poupino, defende que o movimento continua a ser uma escola de paz, empatia, diálogo, regras e vida em comunidade.

O escutismo continua a ensinar “paz, empatia e diálogo” num mundo marcado por guerras, divisões e individualismo, defende a chefe do Agrupamento 697 do Corpo Nacional de Escutas, que assinala 20 anos da Escapadinha dos Mourões, em Abrantes. “Num mundo com guerras, divisões e desafios ambientais, o escutismo continua a ensinar paz, empatia e diálogo”, afirmou à Lusa Ana Poupino, chefe do Agrupamento 697, de Rossio ao Sul do Tejo, considerando que o movimento mantém “uma importância muito grande” na formação dos jovens e na promoção de valores de solidariedade, serviço e consciência ambiental.
A 20.ª edição da Escapadinha dos Mourões decorreu em Abrantes e reuniu cerca de 700 escuteiros de 23 agrupamentos das regiões do Alto Douro, Aveiro, Beira Baixa, Alto Alentejo e Ribatejo, numa atividade organizada pelo Agrupamento 697 sob o tema “As Mensagens do Rossio”, inspirado na história e identidade local. Para Ana Poupino, o escutismo continua a afirmar-se como uma resposta a uma sociedade muito centrada no digital e, por vezes, “no individualismo”, sobretudo entre os mais jovens. “Aqui não existe o eu. Existe o todos”, afirmou, explicando que os escuteiros aprendem a trabalhar “em bandos, patrulhas e equipas” e a adaptar-se ao ritmo do grupo. “O mais fraco não fica para trás. O mais forte vai atrás”, acrescentou.
A dirigente admitiu que um dos principais desafios passa pela dificuldade em impor regras e limites numa geração habituada ao imediatismo e às redes sociais. “Aqui, o telemóvel muitas vezes fica guardado dentro da caixinha e só é dado no fim”, afirmou, reconhecendo que essa realidade leva algumas famílias a afastarem-se do movimento. “Temos regras e elas têm de ser cumpridas, até por uma questão de segurança. Quando estamos com crianças que não são os nossos filhos, a responsabilidade é nossa”, sublinhou. A ligação à natureza e a educação ambiental continuam também a ser pilares centrais do escutismo, através de acções de separação de resíduos, limpeza de rios e sensibilização ecológica. “Deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos não é apenas uma frase bonita, é um princípio vivido”, afirmou Ana Poupino, considerando que os princípios deixados por Robert Baden-Powell “continuam actuais”.
A chefe escutista destacou ainda a dimensão comunitária da Escapadinha dos Mourões, cuja organização mobiliza dezenas de dirigentes, pais e antigos escuteiros. “É um trabalho feito em equipa e não o trabalho de uma pessoa”, afirmou, destacando o envolvimento de cerca de 30 a 40 pais na logística da atividade, desde refeições a apoio operacional. Entre os dirigentes mais jovens está João Calado, de 23 anos, que considera que o principal desafio do movimento será “contrariar a tecnologia” e continuar a atrair jovens para experiências de contacto humano e vida ao ar livre. “As tecnologias vão sempre ganhar algum espaço àquilo que nós tentamos fazer aqui”, admitiu, defendendo, ainda assim, que “nada substitui” a experiência vivida nas actividades escutistas. “O que me dá mais satisfação é ver um sorriso no final das actividades. Não há nada que pague isso”, afirmou.

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