Tomar recria Julgamento popular que marcou o “Verão Quente” de 1975
Obra de Luís Eloy Azevedo é apresentada a 22 de Maio, em Tomar, cidade onde decorreu o polémico julgamento popular de José Diogo, acusado de matar um proprietário agrícola alentejano. O seminário “Justiça, Cidadania e Participação Popular na Administração da Justiça” decorre no Cine-Teatro Paraíso e no Palácio da Justiça I.
Tomar volta a estar no centro de um dos episódios mais marcantes e controversos do pós-25 de Abril. Foi na cidade nabantina que, a 25 de Julho de 1975, em pleno “Verão Quente”, decorreu o julgamento popular de José Diogo, trabalhador agrícola acusado de matar à navalhada Columbano Líbano Monteiro, proprietário agrícola de 78 anos, em Castro Verde. O caso é agora revisitado no livro “A Justiça no 25 de Abril e o Caso José Diogo”, da autoria do procurador-geral adjunto Luís Eloy Azevedo. A obra é apresentada a 22 de Maio, em Tomar, durante o seminário “Justiça, Cidadania e Participação Popular na Administração da Justiça”. Segundo o autor, o julgamento popular, que absolveu José Diogo e condenou simbolicamente a vítima por “opressão e exploração sobre o povo de Castro Verde”, ajudou a extremar o debate sobre a Justiça no período revolucionário e acabou por contribuir para travar caminhos mais alternativos de reforma do sistema judicial.
José Diogo, despedido dias antes do crime, acabaria por ser condenado em 1978 pela justiça tradicional a pena de prisão por homicídio. Mas em 1975 o caso ganhou forte dimensão política, passando de um homicídio comum para um confronto entre trabalhador e patrão, num tempo em que o país discutia intensamente o papel dos tribunais, da participação popular e da herança do regime anterior. Luís Eloy Azevedo defende que o radicalismo de processos como este acabou por favorecer o regresso a um modelo de Justiça mais tradicional. O livro, editado pela Almedina com apoio do Conselho Superior da Magistratura, inclui ainda textos de Amadeu Lopes Sabino e de Daniel Proença de Carvalho, advogados ligados a lados opostos do processo.
Tomar recria julgamento popular 50 anos depois
Tomar vai revisitar, a 22 de Maio, um dos episódios mais polémicos do PREC: o julgamento popular do caso José Diogo, ocorrido a 25 de Julho de 1975, no Tribunal da Comarca de Tomar. O seminário “Justiça, Cidadania e Participação Popular na Administração da Justiça” decorre no Cine-Teatro Paraíso e no Palácio da Justiça I, numa iniciativa do Conselho Superior da Magistratura, da Comarca de Santarém e da Câmara de Tomar. O programa inclui debates sobre o contexto histórico, visita guiada ao tribunal, apresentação do livro de Luís Eloy Azevedo, recriação teatral pelo grupo Fatias de Cá e exibição do documentário “Liberdade para José Diogo”, de Luís Galvão Teles.


