MUDE recebe exposição de autocolantes do Arquivo Ephemera
O Museu do Design, em Lisboa, apresenta uma exposição sobre autocolantes políticos e sociais do pós-25 de Abril. A mostra resulta de uma selecção de milhares de exemplares do Arquivo Ephemera e tem curadoria de José Pacheco Pereira.
Uma exposição dedicada ao papel do autocolante como meio de expressão política, social e gráfica desde o 25 de Abril é inaugurada na quinta-feira no MUDE - Museu do Design, em Lisboa, reunindo uma selecção de peças do Arquivo Ephemera.
Intitulada “Autocolante: iconografia da Liberdade”, a mostra ficará patente até 30 de Agosto no museu lisboeta, com curadoria do historiador José Pacheco Pereira e coordenação-geral de Bárbara Coutinho, directora do MUDE, e Rita Maltez, da Associação Cultural Ephemera.
A exposição centra-se no estudo do núcleo de autocolantes do Arquivo Ephemera, propondo uma leitura da história da democracia portuguesa através destes pequenos suportes gráficos, frequentemente secundarizados face ao cartaz, à bandeira ou ao panfleto, aponta a organização, em comunicado.
O autocolante constitui “um desafio de design gráfico exigente”, por exigir a síntese de mensagens políticas, sociais ou ideológicas num espaço reduzido, convocando recursos de composição, tipografia, cor e impressão.
A selecção apresentada resulta de uma escolha entre milhares de exemplares e percorre diferentes momentos da vida democrática portuguesa após a Revolução de 25 de Abril de 1974, desde o activismo político e partidário às lutas ligadas ao ambiente, aos direitos civis e à defesa da diferença.
O conjunto evidencia a forma como este suporte foi utilizado por partidos, movimentos, associações e cidadãos anónimos como instrumento de comunicação e intervenção pública, permitindo observar a evolução das linguagens visuais e das formas de cidadania ao longo de várias décadas.
José Pacheco Pereira assina os textos que acompanham os diferentes núcleos expositivos e sublinha, no catálogo da mostra, o contraste entre a dimensão reduzida do autocolante e os valores que transporta.
“A minha liberdade fala por via desse humilde pedaço de papel, da sua imagem e das suas palavras”, escreve o curador num dos textos, acrescentando: “Cada uma das vozes dos autocolantes não dá origem a uma cacofonia, mas a um coro. O coro da liberdade”.
Ao longo do percurso expositivo, os visitantes serão convidados a participar na identificação de nomes, movimentos e autorias gráficas associadas aos materiais apresentados, contribuindo para a construção de um conhecimento colectivo sobre a memória visual da democracia portuguesa.
A exposição é inaugurada na quinta-feira, às 18h00, na Galeria C do MUDE, com entrada livre.


