Cultura | 22-05-2026 21:00

Devoção ao Senhor da Boa Morte continua intacta em Vila Franca de Xira

Devoção ao Senhor da Boa Morte continua intacta em Vila Franca de Xira
Romaria ao Santuário do Senhor da Boa Morte em Povos cativou este ano a presença de centenas de pessoas - foto CM VFX

Um dos momentos mais marcantes da tradição do Dia da Espiga em Vila Franca de Xira é a centenária procissão do Senhor Jesus da Boa Morte que este ano reuniu centenas de pessoas, numa mostra do crescente vigor da romaria.

Os séculos vão passando mas a fé no Senhor da Boa Morte de Povos, em Vila Franca de Xira, continua e rejuvenesce-se a cada ano, marcando há pelo menos 300 anos a Quinta-feira da Ascensão, feriado municipal no concelho. Ao longo da história, não houve convulsão política que abalasse a fé dos vilafranquenses na imagem do Senhor Morto, da Monarquia à República.
Este ano centenas de pessoas participaram na romaria ao santuário do Senhor da Boa Morte, numa mostra de um novo vigor da iniciativa promovida pela Irmandade do Senhor Jesus da Boa Morte. Algumas coisas mudaram com o tempo, começando pela que há uma década era mais impactante entre quem realizava a romaria: carregar o santo ladeira acima entre o largo do pelourinho em Povos e o santuário. Uma jornada fisicamente desgastante e um teste à resistência e compromisso de fé. O carregar do santo aos ombros passou depois a ser feito por um reboque puxado pelos bombeiros até se chegar ao cenário que hoje existe: a romaria arranca, a pé, de Povos, mas o santo está no santuário e só sai para realizar a volta à igreja e a bênção dos campos e da cidade. Uma forma que facilita a logística de toda a romaria, garantem alguns membros da irmandade. Este ano a eucaristia da Solenidade da Ascensão do Senhor foi presidida pelo cardeal D. Manuel Clemente, patriarca emérito de Lisboa, que caracterizou o culto de VFX como muito bonito, antigo e expressivo.
A acompanhar a romaria estiveram vários autarcas, com o presidente do município, Fernando Paulo Ferreira, a realçar que a romaria é muito importante para o concelho, pelas tradições que representam na comunidade. Este ano as velas acesas no santuário eram muito mais que em anos anteriores. “Nota-se mais gente a fazer promessas ou simplesmente a agradecer o último ano. A romaria tem crescido e isso é muito bom, sobretudo depois de se ter criado a irmandade há quatro anos”, explica Alberto Cunha, de Povos, que participa todos os anos.
A tradição da romaria é para continuar e fortalecer-se ano após ano, assim espera a irmandade. “Este evento funde a profunda devoção religiosa com a identidade cultural de Povos e Vila Franca de Xira, recebendo centenas de peregrinos para cumprir promessas e celebrar a fé num dos miradouros mais emblemáticos da região”, refere José Rangel, juiz da irmandade. O culto ao Senhor Jesus da Boa Morte remonta ao século XVIII, centrando-se no santuário localizado no antigo Monte de Povos, onde outrora se erguia o Castelo de Povos. Além do valor espiritual, o local oferece uma vista panorâmica única sobre a Ponte Marechal Carmona, o rio Tejo e as lezírias.

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