Festa do Futuro pede ajuda para não perder música no Souto
Festival comunitário criado pela associação Além Mundus lançou uma campanha de financiamento colectivo para garantir a programação musical da terceira edição, marcada para 1 e 2 de Agosto, na aldeia do Souto, concelho de Abrantes.
A Festa do Futuro, festival comunitário que tem procurado levar cultura, reflexão e vida à aldeia do Souto, no norte do concelho de Abrantes, está a recorrer ao financiamento colectivo para evitar cortes na programação da terceira edição, marcada para os dias 1 e 2 de Agosto. A associação cultural Além Mundus, promotora da iniciativa, pretende angariar cerca de cinco mil euros para assegurar a componente musical do evento, depois de ter perdido apoios públicos que em anos anteriores ajudaram a viabilizar o festival. A campanha decorre na plataforma PPL até 13 de Julho e, na terça-feira, 16 de Junho, já tinha ultrapassado os 2.100 euros, cerca de 39 por cento da meta definida. A organização conta actualmente apenas com o apoio do programa municipal Finabrantes, no valor de 5.600 euros, verba que permite garantir parte das actividades, mas não a totalidade da programação prevista. “Ficámos neste momento só com o apoio do Finabrantes, que são 5.600 euros e com o qual não nos é possível fazer a Festa do Futuro na sua plenitude programática”, afirmou à Lusa Carolina Serrão, presidente da Além Mundus. Segundo a responsável, estão sobretudo em causa os concertos e os custos associados ao aluguer de equipamento de som e luz, que representam uma das maiores despesas do festival.
Criada em 2024, a Festa do Futuro apresenta-se como um projecto de base comunitária que junta cultura, arte, participação cívica e reflexão ambiental, envolvendo habitantes, associações, comerciantes, artesãos e pequenos produtores da região. Depois de uma primeira edição dedicada ao tema “Colectivo” e de uma segunda centrada na “Floresta”, o mote deste ano será a “Água”. Mesmo com dificuldades financeiras, a organização já conseguiu assegurar várias actividades, entre teatro, dança, oficinas, caminhadas temáticas, uma mostra de curtas-metragens, uma exposição sobre tempestades que afectaram o país e a criação de um mural comunitário dedicado ao tema da água. A edição deste ano pretende ainda promover debates e momentos de reflexão sobre fenómenos climáticos extremos, recursos hídricos, cheias e o impacto da barragem de Castelo de Bode no território. “Vamos falar sobre a água, sobre as cheias, sobre a barragem de Castelo de Bode e reflectir sobre todas estas questões”, adiantou Carolina Serrão. Para a dirigente associativa, o festival é também uma forma de afirmar o interior como espaço de criação, encontro e futuro.
A terceira edição da Festa do Futuro volta a incluir uma feira de artesanato e artigos em segunda mão, com cerca de duas dezenas de expositores, além da participação de várias associações locais. O programa completo será apresentado a 19 de Julho, na aldeia de Matagosa, freguesia do Carvalhal, também no concelho de Abrantes.


