Cultura | 17-06-2026 07:00

Martin Santos regressa às raízes no Cartaxo com dois novos livros

Martin Santos regressa às raízes no Cartaxo com dois novos livros
O autor reuniu familiares, amigos e leitores numa sessão muito participada na Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita - foto O MIRANTE

Após mais de quatro décadas na Suíça, o escritor natural do concelho do Cartaxo voltou à terra que nunca deixou de sentir como sua. Na Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita apresentou o romance Inimaginável e o quarto volume de poesia Vislumbrando um Mundo Melhor, perante uma sala cheia de familiares e amigos.

Martin Santos voltou ao Cartaxo. O escritor, que viveu mais de quarenta anos na Suíça, apresentou no dia 29 de Maio, na Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita, dois novos livros da sua autoria: o romance Inimaginável e o quarto volume de poesia Vislumbrando um Mundo Melhor. A sessão juntou perto de uma centena de pessoas, entre familiares, amigos de longa data e leitores, enchendo a sala da biblioteca municipal. O autor confessou que não esperava uma adesão tão expressiva, admitindo a surpresa e a emoção por sentir tão de perto o carinho da terra onde tem as suas raízes.
Natural do concelho do Cartaxo, Martin Santos emigrou para a Suíça, país onde construiu grande parte da sua vida pessoal e profissional. O regresso a Portugal, explicou, não foi uma decisão simples. “Era uma questão de 51% de vontade de voltar contra 49% para ficar na Suíça”, contou, lembrando que chegou mesmo a comprar apartamento naquele país, convencido de que ali permaneceria. Acabaram por pesar mais os laços à terra e às pessoas. “As raízes têm muita força”, afirmou. A experiência suíça marcou profundamente o escritor, não apenas pela disciplina e pela organização que encontrou, mas também pelo contraste com aquilo que mais valoriza em Portugal: o convívio, a proximidade humana e a liberdade. “Embora aprecie a ordem, também aprecio muito a liberdade, não só de expressão”, sublinhou, destacando que o modo português de viver e de estar com os outros é algo que não se substitui.
O percurso de Martin Santos no estrangeiro foi tão diverso quanto enriquecedor. Começou por lavar pratos num hotel, passou pela recepção, trabalhou para o Estado suíço e foi também motorista de cantores e artistas. Foi precisamente na Suíça que, já depois dos 30 anos, lhe surgiu pela primeira vez a vontade de escrever. “Estava a trabalhar num hotel e, para que não me desse o sono, eu escrevia”, recordou. Desse impulso nasceu o primeiro romance, Esplendor no Horizonte, ponto de partida para uma obra que viria a crescer entre a poesia, o romance e várias línguas. A vida entre culturas diferentes deu-lhe matéria literária. Martin Santos escreve sobre o amor, a vida real e os valores humanos com um olhar moldado pela experiência prática e pelo contacto com pessoas de diferentes origens e classes sociais. “Dá uma certa abertura conhecer e saber conviver com outras culturas”, afirmou, acrescentando que foi esse contacto que lhe permitiu falar de realidades diversas “com conhecimento de causa”, não apenas pela teoria, mas pela observação directa da vida.
Ao longo dos anos, aperfeiçoou o francês e aprendeu alemão, italiano e espanhol, idiomas que também influenciaram a sua escrita. Publicou em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente em Itália e na Suíça, onde se tornou o primeiro escritor português a publicar um livro na livraria Payot, referência suíça comparável à Bertrand em Portugal. Actualmente dedica-se à literatura, a projectos infantis na área dos desenhos animados e à escrita como colunista internacional, colaborando com publicações no Brasil e em Itália. Os dois novos livros foram escritos em paralelo, mas percorrem caminhos distintos. Inimaginável é um romance que cruza duas histórias de amor e diferentes tempos históricos. A narrativa acompanha um jovem interessado pela escrita, que decide escrever sobre as mudanças ocorridas na Europa nos últimos anos. A partir desse enredo nasce outra história, ligada aos pais da namorada e ao período do 25 de Abril, abrindo espaço a épocas, memórias e realidades diferentes. Já Vislumbrando um Mundo Melhor é uma obra que cruza poesia e prosa, uma combinação pouco habitual que o autor decidiu explorar. O livro parte de uma conversa entre duas pessoas que se encontram num cruzeiro e desenvolve-se como uma reflexão sobre a vida, o mundo e a possibilidade de olhar para o futuro com esperança.

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