Cultura | 18-06-2026 11:49

Carlos Cupeto vem a Santarém falar do seu novo livro “A Inteligência do Lugar”

Carlos Cupeto vem a Santarém falar do seu novo livro “A Inteligência do Lugar”

A Casa do Brasil, em Santarém, recebe Carlos Cupeto, dia 25 de junho, às 18 horas, para uma conversa sobre os temas do seu novo livro que, desta vez, abordam com mais veemência a importância do lugar, da vida local e a possibilidade de reencontrarmos os caminhos de novos modos de vida.

Carlos Cupeto vai estar em Santarém, na Casa do Brasil, no dia 25 de Junho, para falar e partilhar o seu novo livro. “Inteligência do Lugar” é um tratado sobre aquilo que o geólogo e professor universitário melhor sabe explicar quando na sua actividade diária dá exemplos de como se cruza a “ciência da Terra, água e território com as questões maiores do nosso tempo: ambiente, sustentabilidade e modos de vida”. Carlos Cupeto.

Carlos Alberto Cupeto nasceu em Cano (Sousel) e cresceu em Évora. É geólogo de formação pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e professor na Universidade de Évora desde 1987, onde cruza ciência da Terra, água e território com as questões maiores do nosso tempo: ambiente, sustentabilidade e modos de vida. Ao longo do seu percurso de vida, Carlos Cupeto dinamizou centenas de actividades ligadas à cidadania ativa e à cultura do lugar, assim como animou centenas de tertúlias provendo o conhecimento, nomeadamente sobre o vinho, por exemplo, onde também cruza arte, ciência e paisagem.

Na sua vida profissional há ainda a registar os anos em que exerceu cargos dirigentes no Ministério do Ambiente, nomeadamente como responsável no INAG e na ARH do Tejo. É ainda fundador da empresa TTerra – Engenharia e Ambiente e da APEMETA, onde pertenceu à direção durante dois mandatos. A sua militância faz com que seja presença regular na imprensa e na rádio, onde escreve e fala permanentemente sobre a inteligência do lugar que agora serviu para título do seu livro, onde os assuntos mais pertinentes são precisamente sobre ambiente, território e transição ecológica.

Uma leitura atenta do livro faz com que nos identifiquemos com a maioria das questões levantadas, que também preocupam os ribatejanos que ocupam um território que bem merece o titulo do livro.

Santarém, e o Ribatejo em particular, são territórios em que “A Inteligência do LUGAR é aquela que vive nos gestos, nos cheiros, nas estações do ano. E isto é um saber que pertence a cada lugar. Nós apenas o escutamos, olhamos e, se formos humildes, aprendemos. Isto torna as comunidades locais mais resilientes, mais capazes e também, mais felizes”.

Ao longo de cerca de duas centenas de páginas o leitor pode questionar-se com o autor sobre se “os lugares sabem mais do que nós sabemos deles”, e “onde estamos, para onde vamos, como queremos ser felizes no LUGAR onde vivemos?”

Carlos Cupeto assume na sua escrita que “O mundo não vai mudar nas cimeiras, nem nos relatórios, vai mudar, ou não, no lugar onde vivemos. Continuamos a discutir soluções globais para problemas que só se resolvem localmente. Entretanto, degradamos os sistemas que nos sustentam, afastamo-nos da terra, dos ciclos e da realidade. Num mundo acelerado, onde a velocidade se tornou valor dominante, esquecemos que os sistemas naturais, que sustentam a vida, operam em ritmos próprios, exigindo atenção, cuidado e permanência”.

“A inteligência do Lugar, aponta ainda para a transição ecológica, garantindo que não se fará “sem o reencontro com o tempo real: o tempo dos ciclos, das estações, das comunidades e dos territórios”. O autor propõe, para a conversa na Casa do Brasil, que aceitemos “o convite para interrompermos este absurdo: pensar o essencial, questionar o modelo e reencontrar caminhos a partir do território, das comunidades e da vida concreta. Não é um debate teórico que se pretende realizar. É sobre como queremos e vamos viver”.

Participamos ou continuamos a assistir?

Em conversa com O MIRANTE, Carlos Cupeto assume que o seu livro vai servir para continuar o caminho de defesa do Lugar e propõe que todos os leitores que queiram aparecer na Casa do Brasil aceitem o desafio de conversarem, não só sobre o tema do título do livro, mas também sobre ” comunidade e pertença, crise civilizacional, vida local, limites planetários, consumismo insaciável e transição ecológica”.

Respigamos algumas frases fortes do livro, que ajudam a perceber a sua importância no contexto em que vivemos, quando falta governo e autoridade na gestão dos principais problemas que nos afundam em várias crises sempre em crescendo.

”O global não tem endereço, referências ou números de telemóvel.” “Vamos sempre a tempo, mesmo que muitas e muitas vezes tal não nos pareça possível, mas o caminho começa a partir de cada um, do seu ou seus lugares”. O problema não é ambiental, é civilizacional.” “Rapidamente fiquei convicto que a sustentabilidade aceite e apregoada chega a ser ridícula, e é cada vez mais uma sustentabilidade insustentável.” “Só com uma profunda mudança é possível recalibrar, restaurar e regenerar os ciclos e ecossistemas que são a Vida.” “O problema é cultural, não apenas técnico, nem apocalipse inevitável, nem otimismo ingénuo”. “Tudo começa no lugar.” “O global depende sempre do local.” “Os ciclos naturais são a base invisível da vida. “O lugar dá à Humanidade tudo o que necessitamos, só no lugar temos tudo o que nos é essencial: recursos/alimentos, abrigo e segurança.”. “As megacidades afastam-nos da vida real e dos ciclos naturais.” “Recuperar a vida local é também reenraizar, dar tempo ao tempo, abrandar, cuidar do essencial.”“A regeneração começa no local, não com tecnologias milagrosas, mas com gente que cuida, age e resiste.” “A Terra é só uma e é finita.” “Só há futuro onde houver lugar.” “A vida local é mais do que uma solução, é a possibilidade de reencontrar o sentido.”

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