Encerramento do CLAIM volta a incendiar política no Entroncamento
PS e PSD acusam maioria de ter fechado o Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes sem apresentar uma alternativa para dar resposta a um concelho onde vivem cidadãos de mais de 50 nacionalidades. Presidente da câmara justifica decisão com falta de procura e necessidade de reafectar recursos humanos.
O encerramento do Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) do Entroncamento continua a alimentar críticas da oposição, que acusa o executivo do Chega de ter avançado com a decisão sem uma estratégia clara para responder às necessidades da população migrante do concelho. A vereadora socialista Fernanda Alves considera que o problema central não está apenas no fim do serviço, mas sobretudo na falta de uma solução que o substitua. Para a autarca, antes de extinguir o serviço, a câmara deveria ter procurado perceber as razões da reduzida procura registada nos últimos anos e avaliar com rigor as necessidades reais da comunidade migrante.
Também Rui Madeira, vereador do PSD, critica a ausência de uma política municipal para a imigração. O autarca entende que o Entroncamento tem neste momento um “elefante cor-de-rosa” no meio da sala, que todos parecem fingir não ver. Na sua opinião, a autarquia deve avançar com um Plano Municipal para os Migrantes, instrumento que permitiria caracterizar a realidade local, identificar fragilidades e definir respostas adequadas para uma comunidade marcada por uma grande diversidade de origens. Os CLAIM funcionam em parceria com a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) e prestam apoio gratuito em áreas como regularização documental, emprego, saúde, habitação e integração social. A oposição sublinha que o encerramento do centro assume particular relevância num concelho onde coexistem mais de 50 nacionalidades, defendendo que a decisão exigia uma avaliação mais aprofundada e uma alternativa concreta. Fernanda Alves critica ainda a forma como o processo foi conduzido, considerando que a documentação disponibilizada aos vereadores não continha elementos suficientes para sustentar a decisão.
Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Nelson Cunha, rejeita as críticas e garante que o encerramento resultou da reduzida utilização do serviço e da necessidade de reafectar recursos humanos a outras áreas. “Encerrámos por meios humanos e falta de procura. A acção social tem feito todo o trabalho de ajuda e contactos necessários”, afirmou o autarca. Como O MIRANTE noticiou, a decisão de encerrar o CLAIM foi apreciada na reunião de câmara de 19 de Fevereiro de 2026, embora a intenção de denunciar o protocolo com a AIMA já tivesse sido comunicada a 20 de Novembro de 2025. Na altura, a oposição criticou o facto de o processo lhe ter sido apresentado sem conhecimento prévio, embora os vereadores tenham optado pela abstenção, permitindo a aprovação formal da medida.


