Marchas da Carregueira foram hino ao bairrismo e à memória de António Valador
Polivalente da Carregueira encheu-se na noite de sábado, 13 de Junho, para uma das noites mais sentidas e tradicionais da freguesia. Arcos, música, trajes coloridos e bancadas cheias marcaram a 9.ª edição das Marchas Populares que transformou a festa numa homenagem viva a António Valador, o seu principal impulsionador.
A noite de sábado, 13 de Junho, no Polivalente da Carregueira, teve tudo aquilo que faz das festas populares um património nacional. A emoção de quem marcha, o orgulho de quem aplaude, o trabalho de quem decora, cose, ensaia e abre caminho para que uma freguesia inteira se reconheça nas suas tradições. O MIRANTE acompanhou e transmitiu em directo a 9.ª edição das Marchas Populares que voltaram a provar que o bairrismo é o maior sinal de pertença, memória e compromisso de um território.
As bancadas encheram cedo e o recinto ganhou vida com as luzes suspensas, as grinaldas, os manjericos e as cores das marchas. O ambiente foi de festa popular, mas também de respeito por uma história colectiva que não se faz sem pessoas. Ao centro esteve a homenagem a António Valador, figura decisiva na criação e consolidação das Marchas Populares da Freguesia da Carregueira. A sua família, presente no complexo, emocionou-se com o tributo, e a comoção estendeu-se a todos os que assistiram e aplaudiram de pé. António Valador foi recordado pelo que fez, pelo que ajudou a construir e pelo rasto que deixou numa iniciativa que começou a ganhar forma em 2015 e que hoje mobiliza gerações. Escreveu letras, participou, ajudou na organização e na decoração dos espaços, dando corpo à ideia de que as tradições só sobrevivem quando há quem lhes entregue tempo, talento e coração.
Em pista estiveram quatro marchas que deram expressão ao movimento associativo local. A Marcha da Universidade Sénior e AAAFs da Junta de Freguesia da Carregueira mostrou a força do encontro entre gerações, juntando a experiência dos mais velhos à energia das crianças. O Rancho Folclórico e Etnográfico Infantil da Carregueira levou para o recinto a graça dos mais novos e a ligação às raízes etnográficas da terra. A Associação de Danças e Cantares Os Camponeses da Carregueira afirmou a memória rural e a identidade popular, com a marca de quem preserva cantares, gestos e tradições. O Grupo Desportivo União Carregueirense trouxe a garra de uma colectividade que também faz comunidade fora dos campos de jogo.
A Sociedade Filarmónica de Instrução e Recreio Carregueirense “Vitória” deu o suporte musical à noite, reforçando a ligação entre a música, o desfile e a participação popular. Foi a banda sonora de uma freguesia em celebração. Estiveram a acompanhar os marchantes desde as seis da manhã desse sábado, num esforço reconhecido pelo presidente da Junta da Carregueira, Joel Marques.
O presidente da Câmara da Chamusca, Nuno Mira, destacou a Carregueira como exemplo de união, trabalho comunitário e força colectiva. O autarca sublinhou o empenho de mais de 150 pessoas que, ao longo dos últimos meses, prepararam as marchas populares, tornando possível “uma noite fantástica e de alegria”. O autarca garantiu que o município continuará a apoiar a junta de freguesia e as associações da Carregueira na preservação desta tradição que faz parte da identidade local.


