“A inteligência do Lugar” estendeu-se à Casa do Brasil em Santarém
Carlos Cupeto veio a Santarém apresentar o seu novo livro e trouxe com ele Álvaro Beleza, o presidente da SEDES, de que Carlos Cupeto também é membro, assim como João Leite, presidente da câmara de Santarém.
O encontro foi quase em família. João Leite, presidente da câmara de Santarém, abriu a sessão. João Leite já tinha espreitado o livro e pode assim elogiar Carlos Cupeto pela forma como apresenta e luta pelos temas da moda, mas que são cada vez mais desprezados pelos governos. João Leite não deixou o seu crédito por mãos alheias e garantiu que pode não fazer mais nada durante a sua presidência da câmara, mas vai devolver o rio Tejo e as suas margens aos habitantes da cidade. E não vai ser à custa do betão, garantiu, “queremos a engenharia tradicional para construirmos um espaço de lazer e de vivências ao longo das margens. Gostei muito de ler algumas partes do livro. Identifico-me com muitas das suas ideias. Queremos construir um espaço onde se possa nadar, pescar e conviver. Temos uma zona ribeirinha que tem que ser mais bem promovida. Um território abençoado por um rio só pode ser uma boa razão para não o desperdiçarmos e valorizarmos o mais rápido possível”, enfatizou.
Álvaro Beleza falou da ligação de amizade que o liga ao autor e lembrou lutas antigas na defesa do território e das suas gentes. Contou alguns exemplos e valorizou a cidade de Santarém que considerou uma verdadeira “rotunda” do país devido à sua posição estratégica.
“O mundo não vai mudar nas cimeiras, nem nos relatórios, vai mudar, ou não, no lugar onde vivemos. Continuamos a discutir soluções globais para problemas que só se resolvem localmente. Entretanto, degradamos os sistemas que nos sustentam, afastamo-nos da terra, dos ciclos e da realidade. Num mundo acelerado, onde a velocidade se tornou valor dominante, esquecemos que os sistemas naturais, que sustentam a vida, operam em ritmos próprios, exigindo atenção, cuidado e permanência”, declarou Carlos Cupeto enquanto dava exemplos das consequências da fraca economia no Alentejo e no Ribatejo que prejudicam as suas populações e a qualidade de vida no território. Mesmo assim não se esqueceu de referir que “em Évora num ano chove tanto como em Londres, mas as estações do ano são diferentes, por isso é preciso saber aproveitar melhor aquilo que a natureza nos oferece”.
Na mesa esteve ainda José Arruda, que dirige a SEDES de Santarém. Na plateia Nuno Domingos, vereador do Partido Socialista, assim como o médico de Tomar António Ribeiro Mendes e a sua mulher Lénia Mendes. Apesar do trabalho autárquico e associativo que ambos desenvolvem na sua freguesia e concelho, António Ribeiro Mendes não deixou de recordar que a freguesia de Pedreira, onde vivem, ainda não tem saneamento básico.
“A Inteligência do Lugar” é um livro que faz a apologia da vida local que, nas palavras do autor, “é mais do que uma solução, é a possibilidade de reencontrar o sentido.”


