Festas da Cidade do Entroncamento são uma aposta segura para os feirantes
Quem tem banca montada nas Festas de São João e da Cidade do Entroncamento admite que o aumento do custo de vida tornou os consumidores mais cautelosos, mas os certames continuam a ser uma boa oportunidade importante para gerar receitas.
As Festas de São João e da Cidade do Entroncamento voltaram a reunir dezenas de feirantes de vários pontos do país que, apesar do aumento do custo de vida, garantem que continua a compensar marcar presença neste e noutros certames. O programa começou a 19 de Junho e decorre até dia 27 deste mês.
Rafael Mendes, de 19 anos, natural de Tomar, integra o negócio familiar de venda de doces regionais que marca presença nas Festas da Cidade do Entroncamento há cerca de 20 anos. O jovem feirante considera que a participação em certames continua a valer a pena, mas sublinha que a rentabilidade depende de vários factores, desde o produto à localização da banca ou à concorrência de outros eventos. “É preciso estudar bem o mercado. A mim compensa porque o produto que vendo tem qualidade e vende-se bastante bem”, afirma. Ainda assim, reconhece que a subida dos combustíveis teve impacto nos hábitos de consumo. “As pessoas já não gastam tanto. Em vez de gastar cinco ou dez euros, gastam dois ou três”, refere, dizendo que as festas do Entroncamento são das que ainda vale a pena participar.
Também Marco Graça, de Torres Novas, vendedor de crepes e presença assídua nas Festas da Cidade do Entroncamento há mais de uma década, considera o certame uma aposta segura. “Economicamente é uma das boas feiras da nossa zona”, afirma o feirante de Torres Novas, acrescentando que a transferência das festas para o centro da cidade tem trazido mais movimento. Para o feirante, um bom cartaz de espectáculos continua a ser um dos principais factores de atracção, sobretudo durante a semana, uma vez que ao fim-de-semana “há naturalmente sempre mais gente”.
Ana Araújo e Daniel Sousa, da marca Colibri, participam pela primeira vez nas festas com um conceito de caixas mistério que reúne produtos personalizados. Apesar de terem uma experiência ainda recente no circuito das feiras, admitem sentir também uma maior contenção por parte dos consumidores actualmente. “As coisas estão muito mais caras e há tendência para avaliar melhor aquilo que se gasta”, afirma Ana Araújo. Apesar disso, ambos reconhecem a importância destes eventos para ter visibilidade e chegar a novos clientes. No entanto, admitem que viver exclusivamente das feiras é cada vez mais difícil. “É uma vida muito dura e, para compensar, é preciso que as vendas acompanhem o esforço. Eu faço isto apenas em part-time para ajudar a Ana. E com o estado actual do mercado, não abdicaria do meu trabalho para fazer apenas feiras”, confessa Daniel Sousa, acrescentando que há um conjunto grande de variáveis fora do alcance de feirantes que influenciam o sucesso dos certames, como a meteorologia e a organização do espaço.
Homenagem a dirigente do CADE marcou abertura das festas
Antes da declaração oficial de abertura das festividades, foi cumprido um minuto de silêncio em memória de Alberto Pereira, recentemente falecido. Histórico dirigente do CADE – Clube Amador de Desportos do Entroncamento, Alberto Pereira foi homenageado pela colectividade, que decidiu fechar o seu espaço habitual nas festas, transformando o num local dedicado à sua memória. Em sinal de luto e reconhecimento, a bandeira do clube permanecerá a meia haste durante todo o certame. A inauguração das Festas de São João e da Cidade do Entroncamento contou com a presença de várias entidades e autarcas locais, tendo o presidente da câmara, Nelson Cunha, destacado também o papel do dirigente e colectividade, assim como das cerca de 20 associações participantes e a importância do evento para a comunidade. “É graças a estas associações que teremos aqui durante nove dias momentos de grande partilha e convivência. Sem eles este evento não teria qualquer efeito”, afirmou.


