Cultura | 07-07-2026 11:05

Le Monde e Libération rendem-se ao filme “Entroncamento” de Pedro Cabeleira

Le Monde e Libération rendem-se ao filme “Entroncamento” de Pedro Cabeleira

Segunda longa-metragem do realizador natural do Entroncamento, apresentada na secção ACID do Festival de Cannes, está a merecer rasgados elogios da crítica francesa. Le Monde e Libération destacam a forma como o filme retrata a exclusão, violência e a juventude das periferias sem cair no facilitismo dos estereótipos.

O cinema de Pedro Cabeleira volta a atravessar fronteiras e a colocar o Entroncamento no mapa da crítica internacional. A segunda longa-metragem do realizador, precisamente intitulada Entroncamento, continua a recolher reconhecimento depois da estreia na secção ACID do Festival de Cannes, tendo agora merecido destaque em dois dos mais influentes jornais franceses: Le Monde e Libération. Na crítica publicada pelo Le Monde, é sublinhada a forma como Pedro Cabeleira filma um universo marcado pela violência, pela exclusão social e por percursos de vida encurralados, sem transformar as personagens em caricaturas da pobreza ou da criminalidade.
Também o Libération destaca Entroncamento como um neo-polar construído em torno de personagens que sobrevivem entre pequenos crimes, códigos de lealdade, relações frágeis e a vontade quase desesperada de escapar a um destino previamente escrito. A crítica francesa realça a capacidade de Pedro Cabeleira para construir uma narrativa coral, centrada numa juventude à deriva, onde a violência não surge como espectáculo, mas como consequência de um território social ferido.
Inspirado nas memórias do próprio realizador, natural do Entroncamento, o filme acompanha Laura, uma jovem que, depois de cumprir pena de prisão, tenta reconstruir a vida. O regresso à liberdade, porém, não é sinónimo de redenção fácil. Entre velhos fantasmas, relações perigosas e um ambiente marcado pela precariedade e pela criminalidade, a protagonista vê-se novamente empurrada para um mundo do qual queria sair. Entroncamento é a segunda longa-metragem de Pedro Cabeleira, depois de Verão Danado, estreada em 2017.

“Entroncamento é ponto de partida para realidade mais vasta”

Em entrevista recente a O MIRANTE, Pedro Cabeleira alertou para as dificuldades que o cinema português continua a enfrentar na distribuição e exibição. O realizador defendeu que as salas devem apostar de forma continuada na produção nacional, mesmo quando a afluência inicial de público é reduzida. “As salas de cinema têm de programar filmes portugueses mesmo que tenham só 20 espectadores”, afirmou, considerando que só uma presença regular permitirá criar novos públicos e contrariar a invisibilidade a que muitos filmes portugueses são votados. Pedro Cabeleira sublinhou ainda que a passagem pelo Festival de Cannes foi importante para dar visibilidade internacional a Entroncamento e para validar o projecto antes da estreia em Portugal.

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