Cultura | 08-07-2026 18:00

O yoga como terapia para uma vida mais equilibrada

O yoga como terapia para uma vida mais equilibrada
Cristina Martins especializou-se no ensino de yoga para crianças e bebés, mas também trabalha com pessoas de todas as idades - foto O MIRANTE

Professora de yoga há anos e especializada no ensino a crianças, Cristina Martins defende que a prática é uma ferramenta importante para promover o bem-estar, a concentração e a gestão das emoções, numa sociedade cada vez mais acelerada.

Quando começou a praticar yoga, há mais de vinte anos, Cristina Martins nunca imaginou que essa decisão viria a transformar não só a sua vida pessoal, mas também o seu percurso profissional. No âmbito do Dia Internacional do Yoga, explicou a O MIRANTE os benefícios do yoga, nomeadamente para as crianças.
Licenciada em Psicopedagogia e professora de Inglês, sempre esteve ligada à educação e ao desenvolvimento pessoal, mas foi quando se mudou para Santarém que decidiu juntar todas essas áreas num único projecto: o MYA – Meditação, Yoga e Arte Criativa. Pouco depois especializou-se em yoga para crianças e bebés e começou a dar aulas em contexto escolar. Hoje, ao fim de quase 11 anos a trabalhar com os mais novos, não tem dúvidas sobre os benefícios. “Os resultados que vejo nas pessoas são o que mais me apaixona na modalidade. O equilíbrio, estar presente, saber respirar”, sublinha.
Segundo Cristina Martins, o yoga permite às crianças, que “vivem rodeadas de estímulos”, parar, estar presentes e respirar por uns momentos. Ao contrário das aulas para adultos, as sessões dirigidas aos mais novos recorrem a histórias, jogos, desafios e exercícios lúdicos para ensinar técnicas de respiração, relaxamento e concentração.
Os efeitos fazem-se sentir rapidamente. A professora garante que muitas crianças chegam às aulas agitadas e terminam mais calmas, concentradas e capazes de gerir melhor as emoções. Considera que esta aprendizagem é hoje ainda mais importante devido ao tempo que passam em frente aos ecrãs. “O simples facto de aprenderem a estar presentes já trabalha a concentração”, salienta.
Ao longo da carreira, Cristina Martins assistiu a várias mudanças que reforçaram a sua convicção, recordando alunos que, com a prática regular, revelaram uma evolução significativa no comportamento e na postura. Também uma experiência com bebés de cerca de seis meses, numa instituição de acolhimento, a marcou profundamente, defendendo que o yoga é uma prática que “todas as crianças deviam experimentar”.

Dos quatro meses aos 102 anos
Apesar de recentemente ser mais conhecida pelo trabalho com crianças, Cristina Martins ensina yoga a pessoas de praticamente todas as idades. Já deu aulas a bebés a partir dos quatro meses, sempre acompanhados pelos pais, trabalhou com famílias e leccionou em lares de idosos. A pessoa mais velha a quem deu aulas tinha 102 anos e a aluna mais velha que actualmente acompanha tem 70 anos e tornou-se sua aluna após ter dado aulas ao neto. Independentemente da idade, acredita que os benefícios são semelhantes. Nos seniores, destaca melhorias na flexibilidade, mobilidade e relaxamento, nas crianças a gestão emocional e a concentração e, nos adultos, a importância das técnicas de respiração para lidar com o stress.
Ao longo dos anos assistiu também ao crescimento da prática, particularmente em Santarém. “Hoje há muito mais pessoas a praticar yoga do que quando comecei”, diz. Ainda assim, reconhece que persistem alguns preconceitos. “Muitas pessoas dizem que o yoga não é para elas porque é demasiado calmo ou confundem-no com uma religião. Mas acho que a resistência delas é não saberem parar. O yoga é uma prática que não é só física, é mental e emocional. Ajuda-te a estar sozinha contigo própria e há pessoas que não gostam ou têm medo disso”, destaca.

Bem-estar também para quem cuida

Além das aulas privadas e online, Cristina Martins prepara agora um novo projecto. No âmbito do mestrado em Educação Social e Intervenção Comunitária desenvolveu um programa dirigido a cuidadores formais de pessoas idosas e dependentes. Depois de vários anos a trabalhar em lares, percebeu que existe uma grande preocupação com o bem-estar dos utentes, mas pouca atenção a quem cuida deles diariamente. O objectivo passa por levar sessões de yoga, meditação e outras actividades de bem-estar às instituições, ajudando os profissionais a gerir melhor o desgaste físico e emocional. Essa continua a ser a maior missão do yoga: ensinar as pessoas a parar, respirar e viver de forma mais consciente. “Aconselho qualquer pessoa a experimentar antes de dizer que não é para si. Existem vários estilos de yoga e vários professores. O importante é encontrar aquele com que nos identificamos”, conclui.

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