Feira Mostra de Mação: artesanato continua vivo entre tradição, criatividade e novos projectos
Certame voltou a dar palco a artesãos de diferentes gerações, juntando trabalhos em madeira, pedra, resina, acessórios de moda e peças personalizadas que cruzam saber antigo, inovação e identidade local.
Na Feira Mostra de Mação, cada peça exposta carrega horas de trabalho, criatividade, aprendizagem e, em muitos casos, uma vida inteira dedicada ao saber-fazer artesanal. O certame voltou a reunir dezenas de expositores, juntando artesãos experientes, novos empreendedores e criadores que encontram neste espaço uma oportunidade para mostrar o seu trabalho, chegar ao público e manter vivas tradições que continuam a marcar a identidade do concelho. Entre os participantes esteve António Ferreira, residente em Mação há quase 50 anos. O gosto pelo artesanato nasceu ainda na adolescência, quando fazia brincos, pulseiras e pequenas carteiras para vender nas praias e juntar algum dinheiro para as férias. Mais tarde começou a trabalhar madeira, pedra e outros materiais naturais, dando forma a caixas, esculturas e peças decorativas produzidas integralmente pelas suas mãos.
Hoje, grande parte da inspiração surge das caminhadas que faz pela natureza. Recolhe pedaços de madeira, pedras e outros elementos que, mais tarde, transforma em peças únicas. Nos últimos tempos tem desenvolvido uma colecção inspirada em achados arqueológicos e pretende envolver outros artesãos do concelho na valorização desse património através de criações próprias. Trabalha também numa colecção dedicada às invasões vikings na Península Ibérica, em que cada peça representa um episódio dessa narrativa histórica. Participante habitual na Feira, admite que as vendas nem sempre compensam a presença no certame, mas considera essencial continuar a marcar lugar, sublinhando que a feira é também uma montra do artesanato local e uma forma de apoiar iniciativas que dão visibilidade ao trabalho feito no concelho.
A Feira Mostra foi também palco para novos projectos. José Paixão e Filipa Paixão representam uma nova geração de artesãos e escolheram Mação para a primeira apresentação pública da marca que criaram há apenas três meses. O negócio nasceu da vontade de construir uma identidade própria e de produzir objectos personalizados com uma forte componente emocional. O primeiro produto lançado é o dos ímanes personalizados, mas os responsáveis garantem que o objectivo passa por alargar a oferta a outras peças capazes de criar memórias e despertar emoções nos clientes. Apesar da estreia em certames, o foco principal da marca está no comércio electrónico. José Paixão dedica-se exclusivamente ao projecto, enquanto Filipa concilia a actividade com outra profissão. Chegar ao mercado nacional nos próximos três anos e internacionalizar a marca dentro de cinco são as principais metas.
Também em estreia no certame de Mação esteve Joana Brízida, natural de Sardoal e criadora da marca “Isto é da Joana”. A artesã iniciou o projecto há seis anos, com acessórios de moda feitos à mão, como bandoletes e chapéus. Em 2025 alargou a actividade à decoração sustentável, produzindo peças em resina orgânica, mantendo actualmente as duas vertentes do negócio. As peças são produzidas por Joana e pela mãe, num processo que pode demorar entre um e dois dias, dependendo da complexidade de cada trabalho. A inspiração nasce das conversas entre ambas e da criatividade que vão desenvolvendo em conjunto. Com presença em mercados de artesanato de norte a sul do país, Joana Brízida considera que eventos como a Feira Mostra de Mação são fundamentais para dar visibilidade aos criadores locais. “Todas as feiras são importantes para os artesãos, principalmente as do nosso concelho, porque permitem mostrar aos nossos conterrâneos aquilo que fazemos”, sublinha.


