Calor extremo não parou o Colete Encarnado em Vila Franca de Xira
As temperaturas elevadas do fim de semana levaram à redução do percurso do desfile de campinos e ao cancelamento do fogo-de-artifício, mas a Festa do Colete Encarnado voltou a encher Vila Franca de Xira de tradição, convívio e animação.
O calor extremo do último fim de semana não travou a festa do Colete Encarnado em Vila Franca de Xira. A homenagem ao campino Francisco Honrado realizou-se sábado à tarde, como é habitual, mas a cerimónia de entrega do Pampilho de Honra com a inscrição de Joaquim Carlos dos Santos, num tributo póstumo ao campino que dá rosto ao cartaz da Festa do Colete Encarnado de 2026, foi mais curta por causa da temperatura elevada, com dias de 40 graus. Também o desfile de campinos, cavaleiros, amazonas e tertúlias pelas ruas da cidade foi reduzido.
As pessoas aproveitaram as sombras para estar nos momentos de espera e algumas preveniram-se com leques e garrafas de água. Ainda assim, as ruas, no período de maior calor, estavam mais vazias do que o habitual, enchendo a partir das 18h00. No sábado à tarde os bombeiros não tinham registo de indisposições provocadas pelo calor, sendo as ocorrências sobretudo ligadas ao excesso de consumo de bebidas alcoólicas.
Carla Valente, chefe da Divisão de Eventos do Município de Vila Franca de Xira, sublinhou a O MIRANTE que não é a primeira vez que a festa se realiza com temperaturas elevadas, mas já houve edições com frio e vento. Conforme os casos, são adoptadas medidas como, por exemplo, encurtar o desfile de campinos. Foram colocados mais pontos de água na cidade para que as pessoas enchessem as garrafas, a largada de domingo de manhã passou das 10h30 para as 10h00 e o espectáculo pirotécnico de encerramento no rio Tejo foi cancelado devido ao risco de incêndio.
Campinos habituados ao calor
Habituados ao calor e à vida dura no campo, para os campinos, incluindo os mais velhos, alguns na casa dos 80 anos, foi mais um Colete Encarnado. Ao nosso jornal recordaram temperaturas idênticas há umas décadas e disseram que o traje da festa não é tão quente como parece.
João Inácio (Janica), do Biscainho, campino há 35 anos, diz que as únicas medidas que tomam com o calor são ficar menos tempo parados ao sol, dar mais água aos animais e ter cuidado com a hidratação. “Os fatos são um bocadinho quentes, mas antigamente eram mais. Porque este colete, por exemplo, agora é feito de um tecido mais respirável”, explica. O barrete, apesar de ser quente, protege do sol. “Nós somos malta do campo, estamos acostumados”, atira.


