Festas de Santo André resistem graças a voluntários que sacrificam tempo e família
A falta de pessoas ameaça a continuidade das festas populares na Ribeira de Santo André, em Rio Maior, onde um pequeno grupo trabalhou durante semanas para garantir três dias de animação. Associação apela ao envolvimento de mais habitantes para que a tradição não desapareça.
As Festas em Honra de Santo André voltaram a animar a Ribeira de Santo André, na freguesia de Asseiceira, concelho de Rio Maior, durante três dias marcados pelo convívio, pela música e pela emoção. Por detrás do programa esteve, no entanto, um reduzido grupo de voluntários que passou várias semanas a trabalhar para manter viva uma tradição importante para a comunidade. A organização coube à Associação Representativa Cultural e Desportiva de Ribeira de Santo André, cujo presidente, Bruno Delgado, reconheceu a O MIRANTE que a falta de voluntários foi a principal dificuldade. A escassez de pessoas disponíveis obrigou vários elementos da associação a afastarem-se das famílias durante muitas horas e ao longo de várias semanas para assegurar todos os preparativos. Apesar do esforço, André Marques, tesoureiro da associação, garante que o carinho recebido compensa o tempo passado fora de casa. “O objectivo é sempre fazer uma festa a pensar na população”, afirmou, sublinhando que a satisfação dos habitantes é a principal recompensa para quem trabalha nos bastidores.
Também Rita Penetra, voluntária da associação, considera que ajudar os outros faz parte da sua forma de estar na vida. Por viver na localidade, diz sentir uma responsabilidade acrescida em contribuir para a comunidade. “É uma terra pequena, mas com muita luz. A tradição devia manter-se e temos de chamar mais pessoas”, defendeu, deixando um apelo à participação de novos voluntários.
A presidente da Junta de Freguesia de Asseiceira, Filipa Raimundo, destacou a importância das festas populares enquanto momento de reencontro entre famílias e de valorização das raízes locais. “É uma altura em que vêm as famílias que estão fora. Isso é manter as tradições e dar continuidade às raízes das pessoas que lutaram para construir aquele lugar”, afirmou. A autarca considera ainda que preservar estas celebrações é uma forma de homenagear as gerações que contribuíram para o desenvolvimento da localidade e de impedir que o seu legado desapareça. Para além da componente cultural e afectiva, Filipa Raimundo lembrou que as receitas obtidas nas festas podem ser aplicadas pela associação em melhorias e projectos destinados à população.


