Novo recinto conquista feirantes da Festa Templária de Tomar
Mudança para o Parque Urbano é elogiada pela maior proximidade, conforto e facilidade de circulação. Feirantes deixam, no entanto, reservas sobre o impacto da entrada paga no número de visitantes e nas vendas.
Durante quatro dias, o Parque Urbano de Tomar transformou-se numa vila medieval, com dezenas de feirantes vindos de vários pontos do país. Entre espadas, trajes de época, peças em couro e artesanato feito à mão, os participantes aprovaram a mudança da Festa Templária para o novo recinto, embora admitam dúvidas quanto aos efeitos da entrada paga, introduzida este ano, no movimento e nas vendas.
Alice Sousa, de 19 anos, percorre Portugal e Espanha com a mãe a vender e a alugar vestuário medieval, confeccionado artesanalmente através da associação Metamorphosys. A ligação da família ao universo medieval nasceu nos grupos de dança criados pela mãe, que começou por costurar os fatos das bailarinas e acabou por transformar a actividade numa profissão. Naturais de Óbidos, mãe e filha produzem os próprios trajes, que vendem ou alugam em feiras e através da Internet. Alice Sousa lamenta que ainda haja quem desvalorize o trabalho por considerar que se trata apenas de “fantasias e fatos de Carnaval”, mas garante que cada venda representa o reconhecimento das muitas horas dedicadas à confecção de cada peça. A Metamorphosys participa na Festa Templária de Tomar há cerca de dez anos e considera que o evento tem vindo a melhorar. “A disposição está melhor, porque não está tão dispersa como no ano anterior. Isso pode ser benéfico para os visitantes, que têm tudo mais perto”, afirmou Alice Sousa a O MIRANTE.
Também Bruna Moreira, de 44 anos, de Coimbra, elogia a mudança. Com a mãe e o companheiro, integra o projecto familiar Fazemos Nós, criado em 2015, que reúne peças em macramé, malas em couro e outros artigos artesanais. A artesã aprendeu as primeiras técnicas de macramé com a avó e aprofundou os conhecimentos durante cinco anos de viagens pela América do Sul e pela Índia. Para Bruna Moreira, o Parque Urbano é “muito mais acolhedor” do que o anterior recinto. “Este espaço estava mal aproveitado e é maravilhoso. É convidativo, bonito e mais simples de circular. Acho que foi uma boa aposta”, considerou. A feirante manifesta, contudo, reservas quanto à cobrança de bilhete. “Uma família grande, a pagar três euros por pessoa e depois a jantar, pode acabar por ficar com menos dinheiro para comprar aos feirantes”, afirmou.
Rogério Barros, de 54 anos, proprietário da empresa Sagittarius, em Viseu, participa em feiras medievais desde 2001 e regressou à Festa Templária de Tomar há quatro anos. Considera que a grande diferença do evento tomarense está na ligação aos Templários, que fazem “intrinsecamente parte da história da cidade”. No seu espaço, vende espadas, figuras decorativas e artigos inspirados em diferentes períodos históricos, escolhendo para Tomar produtos especialmente ligados à Ordem do Templo. Licenciado em Estudos Clássicos, explica que a paixão pela História esteve na origem do negócio, que inclui também uma loja física.
Festa liga passado, presente e futuro
Na inauguração da Festa Templária, o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, evocou a fundação da cidade para defender que o certame representa muito mais do que uma recriação histórica. O autarca classificou o evento como “um encontro entre quem fomos, quem somos e quem queremos ser”, sublinhando a ligação entre a memória colectiva e a construção do futuro do concelho. Tiago Carrão apelou ainda à participação da comunidade e ao acolhimento dos visitantes, defendendo que, tal como Gualdim Pais lançou as bases de Tomar há mais de oito séculos, também hoje cabe aos tomarenses continuar a construir uma comunidade que honra as suas raízes e “olha para o futuro com ambição”.


