Castro de Vila Nova de São Pedro abre portas a 5.000 anos de história
Visitantes acompanharam os arqueólogos no terreno, conheceram as novas descobertas sobre um dos mais importantes povoados calcolíticos do país e terminaram o dia à mesa, com uma refeição inspirada nos alimentos consumidos na Pré-História.
O passado voltou a ganhar vida no Castro de Vila Nova de São Pedro, no concelho de Azambuja. O sítio arqueológico recebeu, a 16 de Julho, mais uma edição do Dia Aberto, iniciativa que permitiu à população entrar no terreno das escavações, acompanhar o trabalho dos investigadores e perceber como viviam as comunidades que ocuparam aquele povoado há cerca de cinco mil anos. Ao longo do dia realizaram-se visitas guiadas, durante as quais os participantes observaram as estruturas que estão a ser descobertas e ouviram as explicações dos arqueólogos e estudantes envolvidos na campanha. A iniciativa terminou com uma refeição pré-histórica, preparada para dar a conhecer alguns dos alimentos e métodos culinários que poderão ter feito parte da alimentação das populações do período calcolítico.
Patrícia Jordão, arqueóloga e membro da direcção das escavações, explicou a O MIRANTE que uma das prioridades passa por compreender aquilo que restou das antigas campanhas e chegar à configuração original do povoado. Vila Nova de São Pedro foi intensamente escavada por Afonso do Paço e Eugénio Jalhay entre 1937 e 1967, mas grande parte dos trabalhos realizados nessa época não ficou registada de acordo com os métodos actualmente utilizados pela arqueologia. “Não sabíamos bem o contexto nem que tipo de sítio era. Se era mais defensivo ou menos defensivo, o que era produzido aqui, como viviam as pessoas e o que consumiam”, explicou Patrícia Jordão, acrescentando que a actual equipa está a recuperar informação que, durante as antigas escavações, não era valorizada e acabava por ser descartada. Depois de compreenderem melhor a organização do povoado e a planta daquela zona, os responsáveis pretendem avançar com um projecto de recuperação e conservação, que poderá permitir futuras reconstituições das estruturas. Actualmente são visíveis duas linhas de muralha, mas a equipa está a investigar a possibilidade de ter existido uma terceira. Cada nova estrutura pode alterar a interpretação do povoado e da forma como os seus habitantes se protegiam e organizavam. A arqueóloga Ana Rosa confessou que as estruturas têm sido uma das maiores surpresas da campanha.
Carina Pereira, trabalhadora do Museu Municipal de Azambuja, explicou que a iniciativa pretende dar ao público a oportunidade de conhecer um passado relevante e despertar o interesse dos estudantes e das crianças que visitam o local. A responsável defende que o sítio deve continuar a ser uma referência e ter a importância que realmente merece. As visitas foram orientadas por estudantes de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que permaneceram no local durante três semanas para participar nos trabalhos de campo. Beatriz Avelar, estudante daquela faculdade, explicou que os alunos de licenciatura e do início do mestrado têm unidades curriculares obrigatórias de trabalho de campo. Os professores apresentam vários sítios onde podem integrar campanhas e cada estudante escolhe aquele que mais desperta o seu interesse. O Dia Aberto atraiu visitantes de diferentes pontos do país.


