Ortiga dançou durante três dias ao ritmo do folk europeu
Festival Dançarão voltou a reunir na aldeia do concelho de Mação centenas de participantes de vários pontos do país. Oficinas, bailes e momentos de convívio transformaram Ortiga numa pista de dança onde não há idades, limitações físicas ou falta de experiência que impeçam alguém de participar.
A aldeia de Ortiga, no concelho de Mação, voltou a encher-se de música e movimento durante mais uma edição do Festival Dançarão. O evento reuniu centenas de participantes de vários pontos do país para três dias de aprendizagem, bailes e convívio em torno das danças folk e do balfolk europeu. Na manhã de 11 de Julho, pouco mais de uma dúzia de pessoas participou, na Praia Fluvial de Ortiga, numa Oficina de Iniciação ao Folk orientada por André Cid. Entre os participantes estavam Hugo Assunção e Ana Pereira, de Santarém, presenças habituais nas actividades promovidas pela Associação Dançarém, para quem a dança já faz parte da rotina. “Não somos dançarinos profissionais, mas gostamos”, resume Ana Pereira, explicando que frequenta as aulas semanais e os eventos mensais promovidos pela associação. Para o casal, a atracção do Dançarão vai muito além das oficinas. Hugo Assunção destaca os bailes como um dos pontos altos, enquanto Ana Pereira valoriza o convívio proporcionado pelas constantes trocas de pares e pelas conversas entre danças, refere, salientando que qualquer pessoa pode participar, mesmo sem experiência. A inclusão é, aliás, um dos aspectos que ambos mais valorizam. “Na Dançarém acolhem crianças, idosos, pessoas com deficiência visual ou motora e até utilizadores de cadeira de rodas. É um movimento que abraça qualquer pessoa que se queira juntar”, sublinha Hugo Assunção.
A poucos quilómetros dali, quase uma centena de participantes enchia o Palco Ortiga, no centro da aldeia, para aprender o Congo de Captieux, numa oficina conduzida por Bruno Mendes. Apesar do calor sentido no espaço fechado, amenizado por ventoinhas e janelas abertas, ninguém parecia disposto a abandonar a pista. Uma das participantes era Marta Borges, de Lisboa, para quem o Dançarão já se tornou uma tradição de Verão. Esta foi a terceira vez que marcou presença no festival e trouxe consigo o marido, os três filhos, uma sobrinha, uma amiga e a cunhada. Na sua opinião, a organização tem evoluído de ano para ano e a localização é uma das grandes mais-valias do evento.
Levar uma dança nova para casa
Um dos orientadores de oficinas e DJ do festival foi Bruno Mendes, que há quase uma década ensina balfolk. O músico considera que o maior desafio passa por conseguir trabalhar com pessoas com níveis de experiência muito diferentes, defendendo que é necessário “desconstruir a dança” para chegar ao maior número possível de participantes. No final de cada aula, o principal objectivo é que todos consigam levar “uma dança nova para casa” ou que, pelo menos, fiquem com uma ideia de como é dançada. Bruno Mendes salienta que essa aprendizagem desperta a vontade de continuar a praticar e pode contribuir para que danças menos conhecidas voltem a ganhar espaço nos bailes. Natural de Almada, o músico considera que o ambiente vivido em Ortiga distingue o Dançarão de outros festivais. “As pessoas sentem que estão um pouco de férias. O espaço, o local e o ambiente fazem toda a diferença”, afirma.


