Cultura | 09-08-2026 10:00

Cortejo centenário mostrou a alma agrícola de Riachos

Cortejo centenário mostrou a alma agrícola de Riachos
Cortejo da Bênção do Gado voltou a afirmar-se como uma tradição especial em Riachos - foto O MIRANTE

Centenas de pessoas encheram as ruas de Riachos para assistir a um dos momentos mais aguardados da Festa da Bênção do Gado. O cortejo, marcado pela fé, pela cultura rural e pelo orgulho nas raízes da vila, partiu do Largo da Estação e percorreu as ruas. .

Muito antes do início do cortejo da Benção do Gado, já as principais ruas de Riachos, no concelho de Torres Novas, estavam tomadas pelo público. Algumas pessoas levaram cadeiras e procuraram um lugar à sombra, outras assistiram de pé ou das janelas das suas casas. Pelo percurso desfilaram máquinas agrícolas ornamentadas com criatividade, agricultores, animais e figurantes, numa evocação do passado rural da vila. O Cortejo da Bênção do Gado, realizado na tarde de domingo, 2 de Agosto, voltou a afirmar-se como uma das manifestações mais fortes da identidade colectiva riachense. A tradição, com cerca de um século, realiza-se de quatro em quatro anos e mobiliza grande parte da população, incluindo muitos naturais da terra que vivem noutras regiões do país ou no estrangeiro e regressam para participar nas festividades.
Luís Gomes e Carlos Santana, ambos nascidos em 1967 e “riachenses de gema”, como fazem questão de se apresentar, participam na festa desde que se lembram. Carlos Santana é actualmente agricultor e, mesmo nos anos em que não integrou o cortejo, nunca deixou de assistir. Para Luís Gomes, a Festa da Bênção do Gado representa “a essência de Riachos”. Os momentos de que mais gosta são o cortejo e a Procissão da Chegada do Senhor Jesus dos Lavradores, realizada na sexta-feira anterior. Considera que o desfile é a melhor forma de “relembrar os anos passados e aquilo que era antigamente”, numa terra profundamente ligada à agricultura e que ainda hoje mantém parte dessa matriz.
Para Inês Marques, de 28 anos, natural da Figueira da Foz, esta foi a primeira participação. Começou a namorar com um riachense e decidiu acompanhar as tradições da terra dele, tal como o companheiro participa nas suas. “É uma honra fazer parte de uma tradição centenária”, afirmou a O MIRANTE. Antes do namoro desconhecia a festa, mas ficou impressionada com o ambiente e com a decoração das ruas. “A beleza da festa, mesmo realizando-se apenas de quatro em quatro anos, é muito importante”, sublinhou.
O calor intenso também marcou a tarde. Ao longo do percurso houve moradores que refrescaram os participantes com mangueiras e outros que receberam pão, figos secos e fruta distribuídos a partir dos carros alegóricos. O envolvimento popular voltou a demonstrar que a Bênção do Gado é uma celebração construída e vivida por toda a comunidade. Cláudia Sousa é uma das riachenses que já não vive na vila, mas regressa sempre que pode. Frequenta a festa desde criança e, apesar de este ano ter perdido a procissão de sexta-feira, o seu momento preferido, fez questão de estar presente no cortejo. Para Cláudia, a tradição é essencial para recordar “aquilo que somos e a nossa essência”.

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