Cultura | 09-08-2026 07:00

Dança juntou diferenças e uniu mais de uma dezena de jovens em Samora Correia

Dança juntou diferenças e uniu mais de uma dezena de jovens em Samora Correia
Os participantes reunidos no palco do Centro Cultural de Samora Correia - foto O MIRANTE

Doze participantes de Samora Correia, Porto Alto, Benavente e Arruda dos Vinhos construíram, ao longo de cinco dias, uma criação colectiva onde cruzaram diferentes origens, experiências e formas de expressão.

A coreografia não chegou pronta nem foi imposta por quem orientou a oficina. No “Centro das Margens”, foram os próprios jovens que escolheram movimentos, experimentaram ideias e deram forma ao espectáculo apresentado a 31 de Julho, no Centro Cultural de Samora Correia. A oficina de dança inclusiva decorreu entre 27 e 31 de Julho e reuniu 12 jovens. A maioria não tinha experiência anterior em dança, mas, ao terceiro dia de trabalho, a criação estava praticamente concluída.
“Estive a orientar, não fui eu que criei a coreografia. Foram eles que fizeram toda essa criação”, explicou a O MIRANTE Tiago Francisco, técnico superior de dança da Câmara de Benavente, que assumiu a dinamização, orientação e coordenação da iniciativa. As manhãs foram dedicadas a actividades destinadas a quebrar barreiras, promover o conhecimento entre os participantes e criar confiança dentro do grupo. Durante as tardes, o trabalho concentrou-se na construção da coreografia e na preparação da apresentação pública.
Segundo Tiago Francisco, a evolução começou a notar-se logo no primeiro dia. “Eles, ao longo dos dias, foram-se deixando ir mais”, afirmou, acrescentando que, a meio da semana, já quase não era necessário dar indicações sobre os movimentos, a música ou os tempos. O grupo reuniu jovens com diferentes origens culturais, incluindo participantes de famílias brasileiras, africanas e de países do Leste da Europa, assim como participantes com dificuldades cognitivas, como por exemplo o autismo. Para o dinamizador, essa diversidade esteve no centro da proposta de inclusão.
A oficina contou ainda com a colaboração da bailarina e coreógrafa Sofia Pereira. Duas participantes com experiência em dança ajudaram também os restantes jovens nas questões relacionadas com o ritmo, a ocupação do espaço e a construção coreográfica.

A dança como espaço de expressão e descoberta
Alice Pereira, de 17 anos, foi uma das participantes já com ligação à dança. De Samora Correia, começou no ballet aos três anos e, aos 11, retomou a actividade, desta vez na dança contemporânea. Mais tarde, frequentou o ensino secundário na área da dança, em Lisboa. Na criação do “Centro das Margens”, a jovem valorizou sobretudo os momentos de improvisação, por permitirem que cada participante colocasse algo de si próprio no espectáculo. Para Alice, alguns gestos da coreografia, como levantar as mãos ou olhar para a luz dos holofotes, representaram “um momento de leveza” e de ligação ao palco.
A jovem chegou à oficina por sugestão da mãe e pensava inicialmente que iria participar num trabalho relacionado com um workshop de produção artística, desde a iluminação aos cenários. Acabou, porém, por regressar ao papel de bailarina, experiência que não vivia há algum tempo. “Estou muito grata por ter acontecido”, afirmou. Apesar de admitir seguir outro curso, Alice Pereira não afastou um futuro ligado à área. “É uma coisa de que não vou fugir”, disse, reconhecendo que a dança continua a ser o espaço onde mais se sente ela própria.
Para Rodrigo Nunes Duarte, de 17 anos, residente no Porto Alto, a oficina representou uma experiência nova. O jovem inscreveu-se juntamente com a irmã, depois de a mãe ter encontrado vagas na iniciativa. “Nunca pensei que fosse tão divertido”, confessou, destacando as pessoas que conheceu durante os dias de trabalho e as diferentes personalidades que encontrou dentro do grupo.
Rodrigo não tinha formação em dança, mas frequenta um curso de teatro em Lisboa e encara o movimento como outra forma de expressão que poderá ser útil em futuros espectáculos ou actuações. Para o jovem, participar numa criação artística exige confiança, dedicação e respeito pelas dificuldades de cada pessoa.

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