Bienal de Fotografia de VFX duplica valor dos prémios e deixa Tauromaquia por atribuir
Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira 2026 regressa com prémios de valor duplicado, mas sem atribuir o Prémio Tauromaquia. Os curadores justificam a decisão com a falta de qualidade das candidaturas apresentadas a concurso nesta categoria.
A edição de 2026 da Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira (BF26) não vai atribuir o Prémio Tauromaquia, segundo os curadores, por falta de qualidade dos trabalhos. Das sete candidaturas concorrentes a esta categoria, nenhuma foi seleccionada, o que já tinha acontecido noutras edições da Bienal, mas a extinção do prémio não está em causa. A BF26 foi apresentada no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, onde se soube que uma das novidades é a duplicação do valor dos prémios. O prémio principal passa de cinco mil para dez mil euros, enquanto os restantes prémios aumentam de mil para dois mil euros.
A BF26 recebeu 57 candidaturas, das quais foram seleccionados sete trabalhos para o prémio principal e um para o Prémio Concelho de Vila Franca de Xira. Sobre o facto de nenhum dos trabalhos seleccionados ser de fotógrafos do concelho de Vila Franca de Xira, David Santos, curador da Bienal, desvaloriza a situação e sublinha que o facto de este prémio existir desde 1989 e nunca ter sido interrompido na sua apresentação pública é, por si só, um factor que contribui para a prática da fotografia no concelho de Vila Franca de Xira. “A Bienal tem uma dimensão nacional e a preocupação de reflectir, ou não, expressões artísticas de candidatos residentes no concelho não é um critério. Claro que, quando isso acontece, ficamos satisfeitos. Significa que a Bienal também reconhece qualidade nos trabalhos de pessoas que residem no concelho, mas não é um critério”, sublinhou David Santos.
Exposições vão percorrer espaços culturais
O ano de 2026 marca os 200 anos da fotografia e celebra a criação da primeira imagem permanente da história, “Vista da Janela em Le Gras”, produzida pelo inventor francês Joseph Nicéphore Niépce, em 1826. A data foi referida na apresentação da Bienal como mais um marco a assinalar. Os sete fotógrafos finalistas têm agora a responsabilidade de preparar a exposição das suas fotografias no Celeiro da Patriarcal, o que será valorizado e avaliado pelo júri do concurso. Isto porque existe uma grande diferença entre o que é visto em formato digital e o que é observado depois de impresso e exposto.
Segundo o crítico e curador Sérgio Gomes, os sete finalistas apresentam trabalhos em linha com o que de melhor se faz actualmente na fotografia contemporânea. Lamentou apenas que existam cada vez menos projectos de fotografia documental e trabalhos de reportagem. A exposição dos trabalhos seleccionados vai estar em exibição no Celeiro da Patriarcal entre 21 de Novembro de 2026 e 7 de Março de 2027.
A BF26 vai contar ainda com um programa curatorial subordinado ao tema “Uma ilusão nunca é só uma ilusão -As temporalidades da fotografia contemporânea”. As exposições estarão patentes na Fábrica das Palavras, Museu do Neo-Realismo, Museu Municipal de Vila Franca de Xira, Núcleo Museológico do Mártir Santo e Clube Vilafranquense.
Fotógrafo percorreu os limites de Vila Franca para mostrar um concelho que não conhecia
O fotógrafo lisboeta Filipe Bianchi (ao centro na foto) foi seleccionado para o Prémio Concelho de Vila Franca de Xira. A O MIRANTE, contou que, em vez de apontar a objectiva aos locais mais conhecidos do concelho, percorreu todo o seu perímetro administrativo e transformou essa viagem num projecto criado de propósito para concorrer à Bienal de Fotografia.
Apesar de viver em Lisboa e de ter residido durante vários anos em Arruda dos Vinhos, Filipe Bianchi diz que já conhecia o concelho de Vila Franca de Xira, mas ficou surpreendido com o que encontrou durante o trabalho fotográfico. A maior surpresa foi perceber que o território é muito mais rural do que imaginava. “Conhecemos Vila Franca de Xira, Alhandra e as zonas urbanas, mas, quando percorremos os limites do concelho, encontramos sobretudo pequenas povoações, campos e paisagens rurais. Não era isso que estava à espera de encontrar”, refere.
Ao longo do percurso optou por não incluir pessoas nas fotografias. A escolha foi deliberada. “Quis centrar-me no território e na paisagem, nessa linha de tensão onde um concelho termina e começa outro. Ainda estou a ponderar se acrescento alguma presença humana, mas essa nunca foi a ideia inicial”, explica.
A fotografia acompanha Filipe Bianchi há várias décadas. Durante muitos anos conciliou-a com a profissão de designer, mas hoje ocupa a maior parte da sua actividade profissional. Aos 62 anos, soma já várias participações em concursos nacionais e internacionais e esta é a terceira vez que participa na Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira. Sobre a evolução da Bienal, considera natural que o certame tenha mudado ao longo dos anos. Recorda que, quando participou pela primeira vez, em 2016, os processos eram diferentes, desde a entrega das fotografias até à montagem da exposição. Agora, acredita que o verdadeiro desafio começa depois da selecção. “A forma como as fotografias vão ser apresentadas também faz parte do trabalho e pode fazer toda a diferença”, conclui.


