A festa de Nossa Senhora da Paz começa um ano antes de Benavente sair à rua
Pedro Torrezão atribui à devoção, ao envolvimento das famílias e à capacidade de adaptação da tradição a força de uma celebração construída por amor à terra.
As Festas em Honra de Nossa Senhora da Paz voltaram a reunir a comunidade de Benavente entre 31 de Julho e 4 de Agosto. Por detrás dos cinco dias de celebrações esteve quase um ano de preparação, angariação de receitas e mobilização de familiares e amigos. “Não é um ‘sprint’, é uma maratona”, resume Pedro Torrezão, juiz da festa e presidente da comissão, recordando que o trabalho começou logo após a nomeação da comissão, em Agosto de 2025. A exploração do bar, a participação nas Tasquinhas, as iniciativas realizadas durante o período do Natal e a reabertura da esplanada em Abril ajudaram a reunir os recursos necessários para a organização.
Mais do que o programa, é o envolvimento da comunidade que, na opinião de Pedro Torrezão, distingue as Festas de Nossa Senhora da Paz. “É o carinho que temos à terra” e a devoção à padroeira que levam familiares e amigos a disponibilizarem-se para ajudar, afirmou. Embora a comissão fosse formada por apenas três elementos, o trabalho acabou por abranger um círculo muito mais alargado de pessoas.
O presidente Pedro Torrezão contou com Paulo Carvalho, tesoureiro, e Luís Oliveira, secretário, mas assegura que as funções foram repartidas de acordo com as necessidades. “Há um trabalho de equipa e isso acaba por ser fundamental”, explica, reconhecendo a dificuldade de conciliar a organização com as responsabilidades profissionais, familiares e pessoais. “Somos poucos, apesar de termos bastante apoio”, admite. A colaboração das famílias tornou-se, por isso, essencial para responder às muitas tarefas acumuladas durante os meses que antecederam as festas.
A programação combinou cerimónias religiosas, concertos, actuações de DJ, largadas de toiros, quermesse e fogo-de-artifício. A comissão procurou chegar a diferentes gerações e conjugar propostas mais conhecidas com artistas e grupos ligados à região, preservando o vínculo das festas à comunidade local. Pedro Torrezão reconhece que a organização de uma celebração desta dimensão implica escolhas difíceis. O objectivo foi apresentar “uma opção diversificada”, embora a avaliação final pertença sempre ao público.
A figura do juiz corresponde, nos estatutos, à de presidente da comissão. Cabe-lhe também nomear o sucessor, numa escolha de natureza popular, mas tradicionalmente condicionada por um conjunto de regras relacionadas com a comunidade e com as diferentes zonas da vila. Algumas dessas regras, porém, tornaram-se mais difíceis de cumprir. Benavente cresceu e recebeu novos habitantes, alterando a realidade social em que a tradição foi criada. Para Pedro Torrezão, o desafio passa agora por conservar a essência das festas sem ignorar essas transformações.


