Vila Franca de Xira volta a ter sala de cinema legalmente habilitada
Auditório João David Marques Pinheiro, do Ateneu Artístico Vilafranquense, vai passar a incluir oficialmente a valência de cinema. O próximo desafio é arranjar dinheiro para equipar a sala para permitir uma programação regular ao nível das salas de Lisboa.
Vila Franca de Xira voltou a ter uma sala de cinema legalmente habilitada, mais de duas décadas depois do encerramento das últimas salas com exploração regular na cidade. O Auditório João David Marques Pinheiro, propriedade do Ateneu Artístico Vilafranquense, passou a incluir a valência de cinema no seu Documento de Identificação de Recinto (DIR), emitido pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC).
O novo DIR, com efeitos a 25 de Setembro, identifica o auditório como recinto destinado a teatro, música, dança e cinema e estabelece uma lotação de 560 lugares, incluindo seis lugares para espectadores em cadeiras de rodas. Para o Ateneu Artístico Vilafranquense, a alteração representa mais do que uma formalidade administrativa: abre caminho ao regresso do cinema à cidade. A atribuição da valência de Cinema ao Auditório João David Marques Pinheiro constitui, segundo o Ateneu, apenas o primeiro passo. Para que o espaço possa funcionar efectivamente como sala de cinema e acolher uma programação regular, será necessário adquirir e instalar equipamento de projecção cinematográfica adequado às características do auditório e às exigências técnicas actuais.
O Ateneu Artístico Vilafranquense está, por isso, a desenvolver um processo de captação de financiamento, procurando mobilizar apoios públicos e privados para concretizar essa etapa. O objectivo passa por transformar a habilitação legal numa realidade para o público: equipar a sala, criar uma programação cinematográfica e voltar a proporcionar aos vilafranquenses a possibilidade de ver cinema na própria cidade.
A relação de Vila Franca de Xira com o cinema está ligada à história dos seus espaços culturais. Durante décadas, o antigo Cine-Teatro de Vila Franca de Xira foi um dos principais equipamentos culturais da cidade, acolhendo sessões de cinema e espectáculos. Com o espaço já inactivo no início da década de 1990, foi procurada uma solução para criar novas condições culturais e cinematográficas. Em 1993, um protocolo entre a Secretaria de Estado da Cultura, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, o Ateneu Artístico Vilafranquense e a sociedade Circuitos, da Obriverca, previa a criação de uma sala IMAX e de duas salas de cinema no empreendimento que viria a ocupar o local do antigo Cine-Teatro e que deu lugar ao Vila Franca Centro. A solução concretizou-se em Novembro de 1994, com a abertura do centro comercial. O empreendimento contava com três salas de cinema, incluindo aquela que viria a ser reconhecida como a primeira sala IMAX de Portugal. O ciclo terminou em Dezembro de 2005, quando encerraram as duas salas de cinema do Vila Franca Centro, exploradas pela então Lusomundo. A Sala 1 tinha 146 lugares e a Sala 2 contava com 148.
O encerramento deixou Vila Franca de Xira sem uma sala de cinema de funcionamento regular até aos dias de hoje, apesar de terem continuado a realizar-se sessões pontuais, em auditórios municipais e de associações.


