Cultura | 18-08-2026 18:00

Liteiros voltou a ser ponto de encontro de várias gerações mas faltam jovens para dar continuidade

Liteiros voltou a ser ponto de encontro de várias gerações mas faltam jovens para dar continuidade
Festas de Liteiros mantém tradição e promovem convívio da comunidade - foto O MIRANTE

Durante quatro dias, Liteiros voltou a encher-se de música, bailarico e reencontros. A festa em honra de Nossa Senhora do Rosário mostrou a força de uma aldeia que não deixa morrer as tradições, embora a organização alerte para a falta de jovens.

As Festas dos Liteiros, no concelho de Torres Novas, decorreram entre 31 de Julho e 3 de Agosto, juntando habitantes da aldeia, população das localidades vizinhas e muitas pessoas que regressam nesta altura para rever familiares e amigos. O programa procurou chegar a diferentes gerações, com bandas de baile, música rock, DJ, animação infantil, tasquinhas e a tradicional procissão. Bárbara Santos, membro da comissão de festas, explicou a O MIRANTE que estes quatro dias são um dos raros momentos do ano em que a aldeia volta a encontrar-se em força. “Durante o ano as pessoas vêem-se esporadicamente, mas nas festas juntamo-nos, revemos família e amigos e matamos saudades”, afirmou. Na preparação do cartaz há duas regras fundamentais: garantir o bailarico e apresentar propostas diversificadas. “Temos sempre bandas que puxam para o bailarico e depois um DJ ou uma banda rock para agradar a todos os gostos”, salientou.
O trabalho começa muito antes da abertura do recinto. A comissão promove iniciativas mensais para angariar receitas e iniciou a montagem cerca de dois meses antes. Os homens encontravam-se aos sábados, pelas sete da manhã, enquanto as mulheres aproveitavam o final dos dias para preparar os elementos decorativos, todos feitos à mão. O envolvimento dos mais novos é uma das principais preocupações. Segundo Bárbara Santos, muitos jovens aparecem nos dias da festa, mas poucos participam nos preparativos. Em sentido contrário, há pessoas com cerca de 80 anos que continuam a ajudar. “São sempre os mais velhos a assegurar. O pessoal vai envelhecendo e são precisos os mais novos para os trabalhos mais árduos”, alertou.
A adesão ficou aquém das expectativas, situação que a organização atribui à coincidência com a Festa da Bênção do Gado, em Riachos, e com outros festejos na região. A comissão enfrentou ainda uma despesa inesperada por não ter recebido o palco habitualmente cedido pela Câmara Municipal de Torres Novas. Bárbara Santos considera que a autarquia poderia ter dado maior apoio perante esse contratempo. Apesar do cansaço, a recompensa chegou ao ver a população divertir-se. Mariana Bué participou pela primeira vez com uma tasquinha de doces e destacou o convívio como a grande força da iniciativa. “Vemos gente que já não víamos há muito tempo”, disse, garantindo que pretende regressar numa próxima edição.
A história da festa perde-se na memória da aldeia, mas há referências documentais a festejos em Liteiros pelo menos desde 15 de Agosto de 1948, quando a Sociedade Filarmónica União Pedroguense foi anunciada para actuar na localidade. A celebração em honra de Nossa Senhora do Rosário mantém actualmente um formato de quatro dias, assegurado por sucessivas comissões, com procissão, música, restauração, quermesse e tasquinhas. Ao programa juntou-se também o Festival de Folclore, ligado ao Rancho Folclórico Recreativo “Os Ceifeiros de Liteiros”, fundado em 1988, reforçando uma tradição que atravessa gerações.

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