Cultura | 19-08-2026 21:00

Assentis mobiliza uma centena de voluntários e recebe quatro mil pessoas nas festas da freguesia

Assentis mobiliza uma centena de voluntários e recebe quatro mil pessoas nas festas da freguesia
Jorge Leal, presidente do CRCSA - foto O MIRANTE

Durante quatro dias, o recinto do Centro Recreativo e Cultural de Santo António de Assentis encheu-se de música, futebol e convívio. As festas, com mais de meio século de história, continuam a crescer e dependem do trabalho de cerca de uma centena de voluntários.

Assentis voltou a ser o ponto de encontro de milhares de pessoas durante as festas da freguesia, realizadas entre sexta-feira, 31 de Julho, e segunda-feira, 3 de Agosto. O evento, que junta anualmente entre três e quatro mil visitantes, levou à localidade do concelho de Torres Novas residentes, emigrantes e famílias oriundas de aldeias e concelhos vizinhos. Com mais de 50 anos de história, as festas são organizadas pelo Centro Recreativo e Cultural de Santo António de Assentis (CRCSA), associação que há quatro anos adquiriu o terreno onde decorre o evento, junto ao campo de futebol da aldeia. Até então, a localização das celebrações ia mudando de ano para ano. Desde a aquisição do espaço, o recinto tem sido alvo de vários melhoramentos. Foram realizadas obras no bar e na zona destinada aos assados, enquanto a área onde é instalado o palco, habitualmente cedido pela Câmara Municipal de Torres Novas, foi alcatroada.
Junto ao recinto encontra-se o campo utilizado, durante o resto do ano, pelas equipas de formação do clube. O CRCSA conta actualmente com três equipas de infantis a competir nas provas da Associação de Futebol de Santarém. Durante os dias de festa realizaram-se dois jogos por dia e, no domingo, regressou o tradicional encontro entre casados e solteiros, uma iniciativa que não se realizava há cerca de sete anos. Para Jorge Leal, presidente do CRCSA e contabilista de profissão, as festas representam um dos principais momentos de reencontro da comunidade. No Verão, muitos emigrantes regressam à terra e aproveitam o evento para rever familiares e amigos, contribuindo para uma participação que tem vindo a aumentar de ano para ano.

Sem voluntários não havia festa
No dia em que O MIRANTE esteve no recinto, os preparativos decorriam em ritmo acelerado. A montagem do espaço começou cerca de três semanas antes da abertura das festas, mas a preparação do evento inicia-se praticamente com um ano de antecedência. A contratação dos grupos musicais, a definição do programa e os pedidos de autorização ao município começam logo após o encerramento da edição anterior. A organização conta com cerca de cem voluntários, dos mais jovens aos mais velhos. São eles que asseguram o funcionamento do bar, da restauração, da quermesse, da cozinha e das restantes actividades.
Daniela Ferreira, de 30 anos, e Mariana Gonçalves, de 23, ajudam nas festas desde que têm “idade para ser gente”. Começaram na quermesse e foram assumindo novas responsabilidades até integrarem a organização. Para ambas, o evento é uma forma de unir a freguesia e de trazer de volta quem vive ou trabalha fora da aldeia durante o resto do ano. Um dos momentos mais aguardados acontece no encerramento, quando a população sobe ao palco para cantar o hino de Assentis, acompanhada pela banda The Peorth. A canção foi criada por uma habitante da aldeia e chegou a ser ensinada nas escolas locais. A festa também começa a preparar o futuro antes de terminar. No domingo de manhã, grupos de gaiteiros percorrem as ruas de Assentis, de porta em porta, num peditório destinado a financiar a edição seguinte e a apoiar novos melhoramentos no recinto.

Daniela Ferreira e Mariana Gonçalves ajudam na festa desde crianças - foto O MIRANTE

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